Posse de bola sem perigo e Ronaldo apagado. Por que é que Portugal jogou mal?

  • 18/06/2026 03:00
  • Redação

Portugal arrancou no Mundial de futebol com um empate frente ao Congo. A exibição da equipa ficou muito aquém do que seria de esperar.

Os números ajudam a perceber o que aconteceu na estreia de Portugal: muita posse (75%), mas poucos remates, apenas sete - sendo que um deles foi o golo de João Neves, logo aos seis minutos de jogo.

Portanto, muita bola não significa necessariamente produção em golos. O resto da partida foram 93 minutos sem levar perigo à baliza da República Democrática do Congo.

Aliás, os 75% de posse de bola de Portugal são o valor mais alto registado por uma equipa num Mundial em jogos em que acabou com menos remates do que o adversário, desde 1966.

Porque a posse de bola foi completamente inconsequente. Depois do golo logo no arranque da partida, Portugal circulou a bola, mas não colocou velocidade, não atacou o espaço e chegou muito poucas vezes ao último terço do terreno.

Até o selecionador Roberto Martinez admite que depois da vantagem, a equipa começou mais a manter a bola do que a procurar o segundo golo, o que permitiu ao Congo reorganizar-se e tornar-se muito mais perigoso no jogo.

Em vários momentos, sim. Foi uma equipa mais perigosa e mais objetiva: fez mais remates e criou mais situações de verdadeiro risco e terminou o jogo com mais golos esperados do que Portugal: 0,82 contra 0,64.

Portanto, a seleção portuguesa teve mais controlo do jogo, mas o Congo foi muitas vezes a equipa mais capaz de transformar esse jogo em perigo real.

De todo. Não fez. Tocou na bola apenas 25 vezes e, durante largos períodos da partida, passou completamente ao lado do jogo.

Foi assistido por duas vezes para marcar, mesmo de frente para a baliza, e falhou. Se fosse há uns anos, provavelmente não aconteceria.

No entanto, logo após o jogo, nas redes sociais, o capitão de Portugal reconhece que este não era o arranque pretendido, mas "isto está longe de ter acabado".

Veremos o que vai acontecer nos próximos jogos. Mas este é, no mínimo, um sinal sério de alerta.

Portugal não rematava tão pouco desde 2010, no empate com a Costa do Marfim, num mundial em que a seleção acabou eliminada precocemente pela Espanha nos oitavos-de-final. Há até um registo estatístico de que este foi um dos piores jogos da seleção em termos de produção ofensiva numa fase final.

Ainda há margem para corrigir, mas a estreia deixou uma ideia muito clara: para uma equipa que chega ao torneio com ambição, ter posse de bola não chega. É preciso marcar golos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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