Guilherme Silva pede a Montenegro posição clara sobre a Madeira: "Cada um tem de assumir as suas responsabilidades"

Guilherme Silva pede a Montenegro posição clara sobre a Madeira: "Cada um tem de assumir as suas responsabilidades"

  • 18/06/2026 02:30
  • Redação

Durante quase 30 anos, o deputado Guilherme Silva foi a voz dos madeirenses na Assembleia da República e chegou mesmo a liderar a bancada do PSD, em 2002, durante o Governo de Durão Barroso.

As divergências e os desentendimentos entre Lisboa e o Funchal não são novidade para Guilherme Silva, que concorda com Miguel Albuquerque quando o presidente do governo regional admitiu faltar ao congresso do partido, se o Governo não desse resposta a várias reivindicações da região autónoma da Madeira.

O antigo deputado acredita que este desentendimento entre o líder do PSD Madeira e o Governo do PSD vai ser resolvido, mas pede ao partido e a Luís Montenegro que tomem uma posição sobre as várias matérias, porque em causa está uma obrigação do Governo central e não “um favor” que Lisboa está a fazer à Madeira.

Uma das exigências que Miguel Albuquerque fez ao Governo foi a revisão da lei das finanças regionais e, precisamente, na semana anterior ao Congresso o Conselho de Ministros aprovou a criação de um grupo de trabalho para rever esta lei.

O presidente do Governo Regional da Madeira registou com agrado a decisão, mas pede celeridade porque estão identificadas as alterações que é necessário fazer.

“É uma lei clara, justa e equitativa que trata as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, sobretudo levando em linha de conta aquelas que são as dificuldades permanentes, estruturais da insularidade e da ultraperiferia", disse Albuquerque no início desta semana.

Guilherme Silva acrescenta que esta revisão da lei das finanças regionais deve ser vista, não como um favor que se faz às regiões, mas sim tendo por base a ideia de unidade e solidariedade nacional.

“É preciso que isso não seja lido nem tido como um favor, nem como uma atenção especial da República para com as regiões, mas que seja integrado numa ideia de unidade e solidariedade nacional que resulta expressamente da Constituição da República. Não há aqui nem pedidos injustificados das regiões, nem favores especiais do governo central”, refere Guilherme Silva.

O antigo deputado elogia a atitude do Presidente da República que a semana passada, de visita à Madeira, pediu a revisão da lei e António José Seguro apelou a um "esforço comum" e a uma atitude construtiva. O chefe de Estado considerou que os recursos marítimos da Madeira não podem continuar a ser geridos a partir de Lisboa "como se o mar que a rodeia fosse um detalhe", disse o Presidente da República.

Guilherme Silva aplaude António José Seguro: “Acho que o Presidente da República esteve bem. O Presidente da República tem responsabilidades particulares como garante da unidade nacional e sabe bem que essa matéria da lei das finanças das regiões autónomas é uma matéria particularmente relevante e que , gera muitas vezes conflitualidade”, refere.

O antigo líder parlamentar do PSD dá o exemplo da Base das Lajes nos Açores para mostrar a projeção atlântica que o país tem e que se deve às duas regiões autónomas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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