Portugal desce no Ranking Mundial de Competitividade
- 18/06/2026 03:00
- Redação
Portugal caiu três posições no Ranking Mundial de Competitividade do International Institute for Management Development (IMD), e está agora no 40.º lugar entre as 70 economias analisadas. Ainda assim, o país registou melhorias em vários indicadores económicos.
Portugal ocupa o “quarto lugar mundial nas Receitas do Turismo, a 11.ª posição nos Fluxos de Investimento Direto Estrangeiro em percentagem do PIB, o 12.º lugar nos baixos níveis de exclusão jovem e o terceiro lugar na menor concentração das exportações por produto”.
Os dados foram divulgados, em comunicado, pela Porto Business School (PBS), “parceira exclusiva do IMD em Portugal para a recolha, análise e divulgação dos resultados nacionais”.
Segundo o relatório deste ano, Portugal subiu sete posições no indicador do Desempenho Económico, alcançando o 35.º lugar. Ainda assim, registou quedas em áreas consideradas fundamentais para a competitividade, como a Eficiência Governativa (41.º Lugar), a Eficiência Empresarial (45.º) e as Infraestruturas (31.º).
“A queda é o resultado das práticas de gestão (53.º), do mercado de trabalho (46.º) e da produtividade (48.º), a que se somam fragilidades persistentes no empreendedorismo, na dimensão das pequenas e médias empresas (PME), na formação dos colaboradores e nas competências financeiras das empresas”, refere o documento.
Para o economista, o indicador mais preocupante do relatório é a eficiência empresarial. “Portugal destaca-se negativamente pelo apoio à formação dos trabalhadores, esse é claramente o pior indicador que nós temos”, afirma, “e depois, nota-se cada vez mais uma discrepância na utilização da inteligência artificial (IA) por parte das empresas portuguesas [relativamente a empresas estrangeiras]”.
No que toca à baixa eficiência governativa, o professor acredita que “tem muito a ver com a Justiça e também, essencialmente, com a carga fiscal”.
“Portugal destaca-se negativamente na carga fiscal sobre os rendimentos pessoais”, explica. “O IRS é [um dos impostos] mais pesados quando comparado com outro tipo de estrutura fiscal. O próprio imposto sobre o consumo acaba por ser bastante pesado na atividade económica”, declara.
Segundo o especialista, “era preferível reduzir a carga fiscal do trabalho, e até do consumo, e passar a um aumento da carga fiscal via património, por exemplo”.
Estes são fatores que, considera Filipe Grilo, “acabam por retirar alguma motivação aos portugueses”.
Outro dos pontos fracos identificados pelo IMD é a eficiência governativa. De acordo com o académico, isso está relacionado com instabilidade legislativa. “Se as regras se alterarem a meio do jogo, pode dar-se o caso de que um bom investimento vire um mau investimento, e isso preocupa muito as empresas”, afirma.
No entanto, segundo o relatório, o investimento direto estrangeiro continua a destacar-se como um dos pontos fortes da economia portuguesa. Isso explica-se, segundo Filipe Grilo, “porque nós temos muita mão de obra qualificada à espera de ser absorvida”
“Em Portugal, vemos claramente que o efeito da produtividade das empresas que são geridas de forma diferente, que tipicamente são as multinacionais, acabam por nos ajudar a crescer na produtividade”, sublinha.
Contudo, alerta Filipe Grilo, “quando nós atraímos capital estrangeiro os lucros depois não ficam em Portugal, ficam para os donos do capital, que são estrangeiros”.