Seleção: “Ser razoavelmente ambicioso, mas não tanto que depois venha a provocar este tipo de situações”

  • 18/06/2026 05:13
  • Redação

Para o economista, a deceção causada pelo resultado da estreia mostra como uma gestão inadequada das expectativas pode amplificar a insatisfação do público, seja no futebol, nas empresas ou na economia.

A expectativa de uma exibição convincente e de uma campanha de sucesso no Mundial contrastou com o resultado alcançado, um cenário que João Duque considera exemplar para explicar a importância de gerir cuidadosamente as expectativas.

Segundo o comentador, “a gestão de expectativas é fundamental” porque o impacto de um resultado abaixo do esperado é geralmente mais forte do que a satisfação gerada por um desempenho superior ao previsto. Como explica, “é mais fácil mudar expectativas do que resultados” e a diferença entre aquilo que se espera e aquilo que efetivamente acontece nem sempre é encarada de forma equilibrada.

“Aquilo que se ganha acima daquilo que é a expectativa montada sobre um futuro não é igual àquilo que se perde quando a diferença é negativa”, afirma, sublinhando que a frustração tende a ser maior quando os resultados ficam aquém do que foi prometido ou antecipado.

Na opinião de João Duque, o discurso em torno da seleção portuguesa antes do Mundial contribuiu para elevar as expectativas dos adeptos. As declarações de jogadores, treinadores e outros protagonistas alimentaram a esperança de uma presença na final, criando uma perceção difícil de corresponder desde o primeiro jogo.

Depois da estreia menos conseguida, o economista acredita que a seleção pode até beneficiar de uma redução das expectativas nos próximos encontros.

“Agora é mais fácil superar as expectativas”, afirma João Duque, defendendo que um ambiente menos eufórico pode ajudar a equipa a responder melhor dentro de campo.

Nesse contexto, o comentador refere também a polémica gerada pelas imagens dos jogadores portugueses em momentos de lazer antes do jogo, fotografias que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

“Isso não quer dizer que tenha tido impacto no rendimento dos jogadores, mas é a imagem que se dá”, salienta.

Para João Duque, o exemplo da seleção portuguesa pode ser aplicado à gestão empresarial, às previsões económicas e a qualquer organização que tenha de definir metas e comunicar objetivos.

A liderança, defende, deve encontrar um equilíbrio delicado entre motivar as pessoas e evitar promessas excessivas. “Não elevar as expectativas a ponto de criar problemas, como agora tivemos, mas também não as baixar em demasia”, resume.

Se as expectativas forem demasiado baixas, alerta, perde-se a ambição e a vontade de superação. Se forem demasiado elevadas, o risco de desilusão aumenta significativamente.

Por isso, conclui, a melhor estratégia passa por encontrar um ponto intermédio: “é sempre bom que se tenha alguma ambição”, mas a recomendação é clara: “ser razoavelmente ambicioso, mas não tanto que depois venha a provocar este tipo de situações”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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