CCB abre-se à Europa e quer chegar a quem sente que o CCB “não é para si”

CCB abre-se à Europa e quer chegar a quem sente que o CCB “não é para si”

  • 18/06/2026 08:59
  • Redação

“Precisamos trabalhar mais juntos” diz Serge Rangoni, o novo diretor artístico das Artes Performativas do Centro Cultural de Belém (CCB) na apresentação da nova temporada para 2026/2027.

“Os bilhetes estão mais caros” sublinha o programador, para explicar que trazer a Lisboa uma companhia internacional é agora mais caro, daí justificar a necessidade de trabalhar mais em rede. O belga Serge Rangori defende mesmo que “é preciso criar uma rede mais formal em Portugal, mas também na Península ibérica”.

Na nova temporada apresentada esta quinta-feira e que foi criada “em tempo recorde, em dois meses e meio”, como sublinhou Serge Rangoni, o CCB quer apostar numa abertura à Europa.

“Num ano em que celebramos 40º aniversário da entrada de Portugal na União Europeia, deve ser celebrada com o entusiasmo que o projeto europeu merece, mas também com reflexão crítica que os tempos atuais exigem”, aponto Rangoni.

Numa altura em que o CCB quer apostar em atrair novos públicos e chegar “aquelas pessoas que ainda sentem que o CCB não é para elas”, a temporada “cresce em número de espetáculos” em relação à temporada anterior, indicou Rui Morais do conselho de administração.

A abertura da temporada faz-se com espetáculos gratuitos. No fim-de-semana de 11 a 13 de setembro há uma festa de abertura que contará com a atuação da artista Yinka Esi Graves que mistura a linguagem do flamenco com as raízes africanas. Seraá também reposto o espetáculo do coreografo Vitor Hugo Pontes dedicado a Manuel António Pina e haverá visitas ao Museu de Arte Contemporânea do CCB com a artista Cindy Sissoko.

Nesta festa de abertura que contará com mais iniciativas a ideia é colocar as artes em diálogo. Uma aposta que está também presente na temporada. “É um convite a refletir e a criar um lugar de encontro em que as obras dialoguem, as disciplinas se cruzem e público seja convidado a participar como parte integrante”, sublinha Serge Rangoni.

O novo diretor coloca a programação dois eixos temáticos, a emigração e o passado colonial. Serge Rangoni afirma: “Precisamos de incluir mais a diversidade da cidade. Devemos refletir como atrair mais diversidade. Estamos numa parte da cidade mais privilegiada [Belém). Eu vivo no Martim Moniz. É uma realidade diversa e o desafio é como ligar tudo isto”.

Serge Rangoni que assim quer atrair novos públicos para o CCB aposta numa programação em que a dança volta a ser reforçada, em que depois do sucesso da carta-branca à Garota Não, este ano será dado palco a Bruno Pernadas e onde, na música erudita será dado destaque a Beethoven

“Um dos eixos é a evocação dos 200 anos da morte de Beethoven, oportunidade para regressar a uma obra que dois seculos depois continua a desafiar e a surpreender” disse Cesário Costa. O maestro responsável pela programação de música clássica explicou que serão interpretadas as “Sinfonias nº 3 , 5, 6, e 9” pela Orquestra Metropolitana e pela Orquestra XXI e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat

O CCB que vai apostar na presença nas redes internacionais como a Prospero Newa Grac Est, vai também estreitar laços com teatros portugueses como o Nacional São João, o Centro Cultural Vila Flor de Guimarães, o Teatro das Figuras de Faro ou o Theatro Circo de Braga com quem vai organizar uma noite de homenagem a Philip Glass.

Na dança, o programador Fernando Luís Sampaio destacou os espetáculos do Ballet da ópera de Genebra com “Mirage” que traz ao CCB Damien Jalet e o regresso do Ballet da Ópera de Lyon.

Fernando Luís Sampaio que enalteceu o facto de “finalmente” estarem a trabalhar em equipa, destacou ainda os espetáculos “Os da minha Rua”, a partir de uma obra do escritor angolano Ondjaki e a reposição de Speak Low de Martim Sousa Tavares, a partir da obra de Kurt Weill.

Para os mais novos, a Fábrica das Artes organiza a 15ª edição do Big Bang – o Festival Europeu que decorre em 20 cidades. “O CCB fica transformado numa cidade de crianças”, destacou a programadora Madalena Wallenstein sobre o evento agendado para 2 e 3 de outubro.

“Faremos um tributo a Miles Davis e a Kate Bush”, indicou a diretora da Fábrica das Artes que contará ainda com a presença dos portugueses Retimbrar e o Coro Infantil da Voz do Operário e os Pauliteiros de Miranda na programação.

Na programação para o público mais novo pensada com a Assembleia da República, destaque para o espetáculo que a atriz e encenador Sara Barros Leitão fará com base num texto de Gonçalo M Tavares intitulado “Montanha e Utopia” e que terá lugar de 13 a 17 de janeiro.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: