Da euforia à depressão. Portugal no divã depois de as expetativas terem sido insufladas
- 18/06/2026 10:26
- Redação
Tudo certo, até que “o jogo contraria essa narrativa” e o empate “não é apenas vivido como um empate”, “é vivido com um grande impacto emocional”.
Mas há o reverso da medalha. “Quando Portugal não corresponde passa-se para outro extremo, muitas vezes falharam, não prestam, acabaram, a equipa não tem a mentalidade que devia ter”, contrapõe. E esta oscilação, acredita, diz mais sobre nós enquanto povo do que sobre o jogo e sobre os intervenientes.
E conclui que “há pessoas que vivem o desporto como um espaço de compensação emocional, a equipa ganha, eu sinto-me um pouco maior ou melhor, a equipa perde ou empata e isso é frustrante face às expectativas, e eu sinto-me que me retiraram de qualquer coisa e é mais fácil encontrar um culpado do que agora olharmos para essa complexidade”.
Mas faz sentido usar o argumento da pressão, quando os 26 da seleção nacional jogam nas melhores equipas do mundo e muitos já venceram as principais competições de futebol? O ex-bastonário assume que os atletas de alta competição “estão habituados aos palcos mais expostos do mundo” e “a competirem nos limites há muito tempo”, e que, por isso, “certamente a maior parte deles terão desenvolvido competências para lidar com situações deste género que são muito acima do comum de nós”.
“Mas isto não é igual a dizer que sejam imunes a 100% e que, portanto, não possam também, em determinadas circunstâncias, falhar”.
Para o próximo jogo, na próxima quarta-feira, com o Uzbequistão, há a necessidade de recuperar psicologicamente a equipa.
Miranda Rodrigues deixa algumas dicas: “Não devem ouvir tudo, não devem ler tudo, não devem muito menos responder a tudo, ou seja, devem proteger a atenção que dão àquilo que está a acontecer à volta deles.”
“É difícil, mas treina-se. Um atleta de elite não pode impedir a opinião pública de falar, mas pode tentar reduzir o impacto que essa opinião pública tem no balneário”, remata o antigo bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues.