Os números, as histórias e as curiosidades improváveis da primeira jornada do Mundial
- 18/06/2026 12:10
- Redação
A primeira jornada do Mundial deixou muito mais do que golos e resultados. Entre recordes históricos, estreias absolutas e histórias improváveis, os primeiros dias da competição ofereceram uma pequena amostra daquilo que está para vir.
Lionel Messi continua a (re)escrever a história. Os três golos frente à Argélia valeram-lhe uma panóplia de recordes, incluindo igualar Mbappé como únicos jogadores a marcarem um hat-trick enquanto campeões mundiais vigentes.
Já Cristiano Ronaldo entrou para a história por uma estatística menos feliz: tornou-se no jogador de campo com mais encontros sem marcar em Mundiais, com 17. Portugal também conseguiu um feito inédito menos positivo, ao tornar-se na primeira seleção a terminar um jogo com mais de 75% de posse de bola e, mesmo assim, rematar menos vezes do que o adversário.
Harry Kane também deixou a sua marca. O avançado inglês igualou Gary Lineker como melhor marcador inglês em Mundiais (10) e David Beckham no número de edições em que marcou (3). Kylian Mbappé ultrapassou Just Fontaine e passou a ser o francês com mais golos em fases finais (14).
Com a goleada 7-1 frente a Curaçau, a Alemanha chegou aos 239 golos em Mundiais e tornou-se na seleção mais concretizadora da história da competição, superando o Brasil (238).
Já Carlos Queiroz tornou-se no treinador mais velho de sempre a vencer um encontro numa fase final, com o triunfo tardio do Gana frente ao Panamá.
No lado das curiosidades estatísticas, Mikel Oyarzabal protagonizou um recorde improvável. Na partida frente a Cabo Verde demorou 30 minutos para tocar pela primeira vez na bola, um máximo nos Campeonatos do Mundo.
Cabo Verde entrou igualmente para a história ao efetuar apenas uma falta contra a Espanha. Trata-se do número mais baixo de sempre para uma seleção num jogo do Mundial.
Também Breel Embolo viveu uma preparação atribulada. Problemas judiciais impediram-no de viajar com o restante grupo suíço e só mais tarde se juntou à equipa. Na estreia, respondeu com um golo frente ao Catar.
Em Cabo Verde, a grande figura foi Vozinha. O guarda-redes de 40 anos, que representa o Desportivo de Chaves e passou pela Segunda Liga portuguesa, foi eleito homem do jogo na estreia histórica dos "Tubarões Azuis" em Mundiais, no empate contra a campeã europeia Espanha.
A primeira jornada ficou ainda marcada por quatro estreias absolutas no marcador. Yoane Wissa, Abbosbek Fayzullaev, Ali Olwan e Jeremy Comenencia apontaram os primeiros golos das histórias de República Democrática do Congo, Uzbequistão, Jordânia e Curaçau em Campeonatos do Mundo.
Apesar de nenhuma das seleções ter vencido, representaram o primeiro passo destes países na grande competição do mundo do futebol.
Nem todas as estatísticas fazem sentido à primeira vista. A Costa do Marfim tornou-se na primeira seleção deste Mundial a vencer um adversário proveniente de um país com mais espécies de aves registadas do que o seu, com a vitória frente ao Equador. Até ao final da primeira jornada, apenas Gana conseguiu igualar o registo. Ao que parece, ainda que haja exceções, a diversidade de aves tem dado uma vantagem competitiva neste Mundial, ou pelo menos vale a pena referir esse 'fun fact'.
O dia 15 de junho teve um curioso paralelo histórico: pela segunda vez houve quatro empates no mesmo dia de competição. Espanha-Cabo Verde, Arábia Saudita-Uruguai, Egito-Bélgica e Nova Zelândia-Irão terminaram sem vencedor.
A única vez que isso tinha acontecido foi no Mundial de 1958, na Suécia, precisamente a 15 de junho. Na ocasião Suécia-País de Gales, Iugoslávia-Paraguai, Inglaterra-Áustria e Irlanda do Norte-Alemanha acabaram em nulo.
Michael Olise, Harry Kane e Luis Díaz foram eleitos melhores em campo. É apenas a oitava ocasião em que três jogadores da mesma equipa recebem a distinção na mesma jornada de um Mundial. A última vez tinha acontecido tal coisa foi na terceira jornada do Catar 2022, com Pulisic, Koulibaly e Havertz, jogadores do Chelsea, a receberem o galardão de 'mvp'.
E houve ainda espaço para um ineditismo absoluto. Pela primeira vez na história da competição, o autor do golo inaugural não nasceu no país que representa: Julián Quiñones, internacional mexicano, nasceu na Colômbia.
Num Mundial onde Messi continua a desafiar o tempo, as primeiras páginas do torneio também pertencem a nomes como Vozinha, Aymen Hussein ou Yan Diomandè. Porque os Mundiais vivem dos recordes, mas sobretudo das histórias.