Qual é a polémica no exame de Português do 12.º ano? O que pode acontecer?

  • 18/06/2026 13:58
  • Redação

O Ministério da Educação vai realizar uma auditoria para perceber o que aconteceu no exame de português do 12º ano, onde foi utilizado um exercício semelhante a um que consta de um manual de apoio.

Em causa, nada mais nada menos, do que o exercício com maior peso no exame nacional. É a última questão, que compõe a prova. Trata-se do Grupo III chamado de escrita compositiva, ou seja, os alunos têm de combinar expressões linguísticas, organizar ideias e estruturar discursos para criar um texto coerente.

Nesta questão, tanto pode ser dado um tema sobre o qual os alunos têm de fazer uma reflexão, como uma imagem para fazerem um comentário crítico.

O exercício deste ano tinha uma imagem em que era pedido aos alunos que a descrevessem, que fizessem um comentário crítico e apresentassem três aspetos relevantes num vocabulário valorativo, tudo isto com um mínimo de 200 palavras e um máximo de 350.

Estas são justamente as mesmas regras que estavam no livro já publicado no ano passado.

No ano passado, na 2ª fase, o exercício tinha uma imagem em que era pedido exatamente o mesmo que se podia ler no exame deste ano.

Essa formulação também foi a utilizada no livro de apoio. Aqui a questão é a coincidência da imagem ser a mesma.

A autora pertence à Direção da Associação de Professores de Português, mas esta associação garante que a docente não é, nem nunca foi nomeada como auditora de provas e não forneceu nem teve acesso a informação privilegiada, lamentando a infeliz coincidência.

O gabinete de Fernando Alexandre emitiu esta tarde um comunicado e em 24 horas mudou de versão: veio agora dizer que afinal o exercício que saiu no exame já tinha sido publicado num livro de apoio no ano passado e pediu à Inspeção Geral de Educação uma auditoria aos procedimentos internos do Instituto responsável por realizar os exames nacionais.

Ao mesmo tempo, o ministro solicitou um parecer técnico sobre os eventuais efeitos desta situação na equidade entre os mais de 76 mil alunos que realizaram a prova, na passada terça-feira. Também desta tarde, a reação do ministro da Presidência que considerou que esta era uma questão inquietante.

O exame de português é obrigatório para todos os alunos que querem terminar o ensino secundário. Ao mesmo tempo pode funcionar como prova de ingresso no ensino superior, dependendo do curso escolhido e aqui a nota assume ainda mais importância.

  • Fonte: Rádio Renascença
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