Papa denuncia "hemorragia dos cristãos orientais dos seus próprios territórios"

Papa denuncia "hemorragia dos cristãos orientais dos seus próprios territórios"

  • 18/06/2026 16:03
  • Redação

“Não posso deixar de pensar na quantidade de dinheiro que, neste momento tão negro da história, está a ser desperdiçado para matar, deitado fora por tantos que fomentam as guerras”, disse esta quinta-feira Leão XIV numa audiência aos participantes na Assembleia Plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igreja Orientais (ROACO).

“Enquanto vós gerais vida, eles semeiam a morte; enquanto estendeis a mão ao irmão, eles encontram inimigos para esmagar; enquanto criais diálogo, eles procuram monólogos; enquanto abris caminhos de esperança, eles oprimem as pessoas no medo; enquanto construis o futuro, eles destroem o presente”, disse o Papa.

“Como não pensar na dolorosa hemorragia dos cristãos orientais dos seus próprios territórios, causada sobretudo pela guerra que, repito, não resolve problemas, mas cria tragédias, muitas vezes deixadas cair no esquecimento geral”, lamentou.

O Pontífice sublinhou que uma das consequências da guerra, “que continua a drenar o sangue das Igrejas Orientais, é a precariedade”. E alertou para o risco da situação dos países que sofreram conflitos caírem no silêncio, passado uns tempos, ao ponto de “as coisas parecem geralmente tranquilas, ainda que fortemente marcadas pelos dramas do passado”.

O Papa denunciou que estas sociedades se enfraqueceram “devido à instabilidade das instituições, frequentemente manipulada pela presença de bandos armados que dividem o território, por um sistema político condicionado e frequentemente pressionado por agentes e interesses externos, que não opera livremente, mas está envolto em mil subterfúgios, acordos secretos e interesses particulares. Gera-se assim uma precariedade perene que sufoca as possibilidades de desenvolvimento e recai sempre sobre os ombros dos mais pobres”.

Neste contexto, “o medo e a insegurança dominam todo o lado, o trabalho é precário, os salários são irregulares, a saúde, quando funciona, é intermitente e a educação é provisória. E isso prejudica as pessoas comuns, as famílias, as crianças e os jovens, os idosos e os doentes. Torna-se um drama que pesa no coração de todos, devora a esperança e impede a construção do futuro, fomentando o impulso de partir, como acontece com tantos dos nossos irmãos e irmãs na fé, sobretudo no Médio Oriente”.

Leão XIV apelou, mais uma vez, à reflexão sobre as consequências da guerra e da precariedade, e à sua prevenção, com inteligência e responsabilidade, “pois tudo isto não é fruto de um destino inevitável, mas de escolhas livres e, por isso, de responsabilidades moralmente imputáveis”, frisou.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: