Primeira unidade pública para tratar vício do jogo abre em Lisboa
- 18/06/2026 15:47
- Redação
Abriu esta quinta-feira a primeira unidade pública dedicada ao tratamento da perturbação do jogo a dinheiro do país, no Espaço Lx Jovem, em Lisboa. Localizado no Bairro do Armador, na freguesia de Marvila, este centro, pioneiro no país, é o resultado de um esforço conjunto entre o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), o Ministério da Saúde e a Câmara Municipal de Lisboa.
A coordenadora Cristina Mesquita explicou aos jornalistas que esta unidade “nasce para responder a uma realidade muitas vezes silenciosa”, numa altura em que o número de pessoas a procurar tratamento para esta patologia tem vindo a aumentar substancialmente em Portugal.
“Inauguramos uma porta aberta para quem precisa de apoio e acompanhamento, onde as pessoas não serão definidas pelos seus erros. Faremos verdadeira diferença na vida de quem nos procurar”, garantiu.
Desde 2023, o número de pessoas a pedir apoio por perturbação de jogo mais do que duplicou, passando de 358 utentes para 782 em 2025 – um aumento de 118%. Segundo a presidente do ICAD, a inauguração deste espaço “fundamental” marca “o início de um projeto de elevada importância para o nosso país”.
Joana Teixeira alertou que esta patologia aditiva, que requer um “tratamento especializado”, pode ter “consequências muito negativas para a pessoa, para a família e para a sociedade”. Por esse motivo, sublinhou, neste local, “a resposta inclui uma intervenção dirigida às famílias”.
Também presente na inauguração, Luísa Aldim, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa com os pelouros da Juventude e do Desenvolvimento Social, afirmou que a “incidência [desta patologia] sobre os mais jovens é tendencialmente crescente”.
O espaço, cedido provisoriamente pelo município, vai albergar esta unidade de tratamento, que funciona em regime de ambulatório, até que um edifício do ICAD no Restelo, que está a ser alvo de obras, fique pronto para a instalação permanente deste serviço.
No futuro, declarou Renato Lourenço da Silva, em representação da secretária de Estado da Saúde, “esperamos que esta resposta possa ser alargada a outras zonas do país”.
Esta dependência “não se extingue na parte clínica”, alertou o psiquiatra João Reis, responsável clínico desta unidade. “Se não conseguirmos mudar a forma como a sociedade vê o jogo, isto vai transformar-se numa avalanche”, rematou.