Polémica em exame de Português foi "um infortúnio" que não põe em causa a equidade

Polémica em exame de Português foi "um infortúnio" que não põe em causa a equidade

  • 18/06/2026 15:14
  • Redação

Em comunicado, o gabinete de Fernando Alexandre anunciou que pediu à Inspeção Geral de Educação e Ciência (IGEC), uma auditoria aos procedimentos internos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), a nova entidade que absorveu o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) e que é responsável por realizar os exames nacionais.

Ao mesmo tempo, o ministro solicitou um parecer técnico sobre os eventuais efeitos desta situação na equidade entre os mais de 76 mil alunos que realizaram a prova, no dia 16 de junho.

Esta professora considera que a avançar-se para a anulação da resposta a solução a seguir seria “das duas uma, ou anulam o exame todo e os alunos têm de ir à 2ª fase ou anulam essa resposta e têm de criar um momento em que os alunos resolvem apenas essa resposta”, mas no seu entender “não faz sentido” enveredar por um desses caminhos, porque, acredita, que não está colocada em causa a equidade.

Carmo Oliveira, que é professora na Escola Secundária Aurélio de Sousa, no Porto, e que teve uma turma que fez o exame de português, refere que não sente que os seus alunos “tenham sido prejudicados, por ter havido, hipoteticamente, um grupo de alunos que viu aquele exercício num livro de preparação”.

Esta professora indica que o exercício é chamado de “escrita compositiva”, ou seja, os alunos têm de combinar expressões linguísticas, organizar ideias e estruturar discursos para criar um texto coerente.

Nesta questão, tanto pode ser dado um tema sobre o qual os alunos têm de fazer uma reflexão, como uma imagem. Neste caso é pedido “que faça um comentário crítico da imagem, descreva, apresente três aspetos relevantes num vocabulário valorativo”, concluindo que a “formulação da questão é sempre igual, é uma coisa rotineira”.

Considera que a equidade entre alunos foi posta em causa e que esse exercício tem de ser repetido pelos alunos, porque “a redistribuição iria dar um peso significativo às questões de escolha múltipla e seleção, além de que o exame ficava sem avaliação no texto de opinião”.

A MEP coloca a “hipótese de esta situação resultar dos procedimentos associados à reforma digital” e, por isso, defende que “é importante que o MECI apure se foi usada uma plataforma de Inteligência Artificial” para a elaboração do exame, concluindo que “se esta foi a causa da situação, mostra que o processo de transição digital é apressado, que não está devidamente sustentado, que a sua segurança é duvidosa e promove situações de falta de equidade em vez de promover a inclusão”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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