PSD concentra críticas no PS: "Não pode continuar a ser força de bloqueio"
- 19/06/2026 01:24
- Redação
Luís Montenegro prometeu, durante o debate quinzenal desta semana, deixar para o Congresso do PSD uma análise mais aprofundada sobre a situação política nacional, mas avisou que o Governo vai continuar a dialogar com o Chega e com o PS, “assim haja vontade” das lideranças destes dois partidos.
“O Partido Socialista, como partido fundador da democracia, tem mesmo que deixar de ser força de bloqueio e tem que passar a fazer o papel que o povo português lhe deu nas eleições, que é ser oposição construtiva, deixando o Governo governar e fazendo a avaliação no final dos quatro anos da legislatura”, diz Hugo Soares.
Questionado sobre se este congresso em Anadia vai servir também para preparar o partido para eleições antecipadas, Hugo Soares diz que essa discussão não faz sentido. “O PSD não está a pensar em eleições, nem quer eleições, portanto, esse debate não acontecerá, nem o PSD precisa de se preparar para eleições porque as eleições só acontecerão daqui a quatro anos”.
Os militantes do PSD reúnem-se em congresso um ano depois das segundas eleições legislativas em que o partido reforçou a vitória, mas em que o Chega de André Ventura ganhou mais força eleitoral e elegeu 60 deputados.
No último ano, o PSD aprovou com o Chega a lei da nacionalidade, da imigração, mas Hugo Soares acredita que os militantes não vão criticar Montenegro pelas escolhas que está a fazer.
“Não creio sinceramente que o PSD tenha feito mais acordos com o Chega do que com os outros partidos. O PSD tem uma responsabilidade que é governar e para governar tem de negociar com os partidos com a representação parlamentar. Não sei se haverá críticas ou não, se houver, o Congresso é o espaço certo para essa discussão”, justifica Hugo Soares.
Apesar de não ter oposição interna, a atual liderança do PSD e do Governo tem sido criticada por Pedro Passos Coelho que, nos últimos meses, veio a público contestar o que considera ser a inação do Governo em fazer reformas estruturais. As críticas geraram incómodo na liderança e levaram mesmo Luís Montenegro a desafiar o antigo primeiro-ministro a ir a votos no partido.
Esta semana, Miguel Pinto Luz avisou, em entrevista à Antena 1, que “o Governo não se pode dar ao luxo de não ouvir um senador como Passos Coelho”. Hugo Soares concorda com o ministro das Infraestruturas e da Habitação e lembra que foi esta direção que permitiu o encontro, em vários momentos, do partido com antigos líderes.
“Concordo. Não terá havido nenhuma direção de partido que tenha criado tantos movimentos de participação, julgo eu, modéstia à parte, de ex-líderes como nós fizemos, Cavaco Silva, Fernando Nogueira, que inclusive participou num almoço com o primeiro-ministro, o Dr. Luís Marques Mendes, o Dr. Pedro Santana Lopes, o Dr. Pedro Passos Coelho, o Dr. Luís Filipe Menezes, a Dr. Manuela Ferreira Leite, bem, não tem faltado respeito por parte do partido pelo seu histórico, um histórico e uma história que nos orgulhemos”, refere Hugo Soares.
Para além da moção de estratégia global de Luís Montenegro, o congresso vai ainda discutir 18 propostas temáticas onde as estruturas do PSD pedem reformas ao Governo, como a revisão da lei das finanças locais, a alteração à lei eleitoral autárquica e para a Assembleia da República e ainda alargar os serviços mínimos às escolas em dias de greve. São várias ideias com as quais Hugo Soares não se compromete, preferindo valorizar o “pluralismo” que diz existir no partido.
“O PSD tem um conjunto de moções para ser discutido no Congresso e eu acho sinceramente que isso é manifestamente importante porque mostra a vitalidade do partido e mostra a polaridade também das ideias e das políticas públicas que o PSD sempre teve para o país e, portanto, isso é salutar” remata o secretário-geral do partido.