País está preparado para o calor? As autarquias “têm essa obrigação”, aponta Francisco Ferreira

País está preparado para o calor? As autarquias “têm essa obrigação”, aponta Francisco Ferreira

  • 19/06/2026 03:00
  • Redação

Como preparar uma cidade para enfrentar as altas temperaturas? O ambientalista Francisco Ferreira explica que é essencial assegurar a arborização das cidades, garantir pontos de água públicos e locais com ar condicionado de forma a assegurar o bem estar da população.

“O enfoque está muito aqui: em olharmos para o edificado e para tudo o que é a criação de espaços com jardins, com árvores, zonas de sombra que possam servir para as pessoas estarem e por onde passarem”, aponta o presidente da associação ZERO. Dá, ainda, como exemplo “locais acessíveis para a hidratação” e, por último, acrescenta ser importante “termos serviços que sejam climatizados para poderem ser utilizados se necessário”.

Para o também diretor do centro de investigação em ambiente e sustentabilidade da Universidade Nova de Lisboa, estamos perante condições que devem ser asseguradas pelas autarquias e que, nestas situações, assumem um papel central.

“Aliás, [as autarquias] têm essa obrigação na nossa lei de bases do clima”, lembra o ambientalista. “Há que fazer os chamados planos municipais de ação climática” onde possamos “olhar para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e, por outro lado, garantir a adaptação das cidades como um todo. E isso também passa muito pelo edificado”, nota.

Uma meta que ainda não está alcançada, reconhece Francisco Ferreira que defende planos de contingência para o verão semelhantes ao criado para os meses de inverno.

“Quando falamos de pobreza energética as pessoas associam muito ao inverno — não têm como aquecer a casa — mas, o facto é que temos de ter a mesma preocupação do ponto de vista de como arrefecer a casa, de forma a garantir que a temperatura está abaixo de 25°C, onde consigo estar confortável”, acrescenta.

“Portanto, estes planos de contingência e de atenção que damos para situações de inverno são obviamente também prioritários numa situação de verão”, remata o ambientalista.

Em Portugal, estima-se que 2 milhões de portugueses vivam em situação de pobreza energética sem recursos para enfrentar o frio, nem as altas temperaturas.

A partir desta sexta-feira espera-se uma subida das temperaturas. Prevê -se que os termómetros possam chegar a temperaturas entre os 40° e os 42° no interior do país, a partir de segunda -feira.

  • Fonte: Rádio Renascença
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