APAV apoiou 169 refugiados vítimas de crime e violência em cinco anos

APAV apoiou 169 refugiados vítimas de crime e violência em cinco anos

  • 19/06/2026 02:27
  • Redação

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 169 pessoas refugiadas vítimas de crime e violência entre 2021 e 2025, num total de 349 crimes e outras formas de violência, segundo as estatísticas divulgadas esta quinta-feira pela instituição.

De acordo com a APAV, o número de vítimas acompanhadas registou um crescimento expressivo ao longo dos últimos cinco anos, verificando-se um aumento de 287,5% entre 2021 e 2025.

A associação sublinha, em comunicado, que estes números retratam a realidade de pessoas que foram forçadas a abandonar os seus países de origem devido a conflitos, perseguições ou à falta de proteção estatal, mas que continuam vulneráveis mesmo após chegarem a um local seguro. “Mesmo após encontrarem refúgio, muitas continuam a enfrentar situações de crime e violência”, alerta a APAV.

Os dados mostram que a maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (71%), enquanto os homens representavam 27,2%. Em termos etários, destacam-se os adultos entre os 18 e os 64 anos (40,8%) e as crianças e jovens até aos 17 anos (39,1%).

Relativamente à nacionalidade, predominam as vítimas de origem europeia (78,7%), sendo que os refugiados ucranianos representam 69,2% do total de pessoas refugiadas apoiadas pela associação durante o período em análise.

A violência doméstica surge destacadamente como o crime mais frequente, correspondendo a 81,4% das situações sinalizadas à APAV. Seguem-se a violência sexual (4,6%), as ofensas à integridade física (2,3%), a ameaça ou coação (2%) e a difamação ou injúria (2%).

Quanto aos alegados agressores, a maioria era do sexo masculino (67,6%). A APAV destaca ainda que muitas das situações envolviam pessoas com uma relação próxima da vítima, nomeadamente madrastas ou padrastos (34,7%) e cônjuges (12,4%).

Um dos aspetos que mais preocupa a associação prende-se com a reduzida denúncia destes crimes. As estatísticas indicam que 58,6% das vítimas não apresentou qualquer queixa ou denúncia às autoridades, enquanto apenas 28,4% avançou com uma participação formal.

Para a APAV, estes dados demonstram que o processo de proteção de uma pessoa refugiada não termina com a sua chegada ao país de acolhimento. “Garantir proteção não significa apenas acolher. Significa também assegurar que quem procura segurança encontra condições para viver livre de violência e com acesso efetivo aos seus direitos”, salienta a associação.

A instituição recorda que disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social gratuito e confidencial através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, do Chatbot APAV e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.

  • Fonte: Rádio Renascença
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