Um poeta escreveu uma peça de teatro e um ator encenou

Um poeta escreveu uma peça de teatro e um ator encenou

  • 19/06/2026 03:30
  • Redação

Uma caravana está estacionada no palco do Teatro Aberto, em Lisboa. Ela é o refúgio da personagem principal da primeira peça de teatro do poeta João Luís Barreto Guimarães a ser encenada.

Protagonizada pelos atores Joaquim Horta e Rita Calçada Bastos, o texto vencedor do Prémio de Teatro Carlos Avilez / SPA /Teatro Aberto 2025 chega ao palco com a encenação do ator João Pedro Vaz que trabalhou com o poeta a obra.

“É preciso ter muito cuidado quando às vezes se introduz a poesia dentro do teatro, porque o teatro continua a ser uma arte viva, em que os corpos têm que ressoar e têm que transmitir eles próprios as suas metáforas, sem que a gente as mencione. A poesia é o contrário. Às vezes o ator em silêncio diz mais do que quando está a falar”, lembra João Pedro Vaz.

Em palco, nesta “Caravana” está a história de Tomás, um homem que se isola e vive no meio de uma floresta, onde se cruza com três mulheres – todas elas interpretadas pela mesma atriz.

“Esta caravana é literal. Ele vive num baldio, supostamente, diz ele, numa quinta de uma amiga onde está em retiro voluntário, longe da cidade. Percebe-se que ele desistiu. É um homem em perda, em dor. Ali perto há uma espécie de Pub onde ele tem encontros fortuitos com mulheres diferentes que ele leva para aquele lugar”, conta João Pedro Vaz.

Sem contar tudo, o encenador explica que “há coisas que não precisam de ser claras, porque o espetador quer fazer o resto da construção. É uma parte ativa na construção do espetáculo. É um bocadinho a diferença entre comida a sério e comida enlatada em que se mete no micro-ondas e está feita. Já sabemos o que é. Portanto, o espetador faz parte da experiência”.

Habituado à linguagem do cinema, o ator que agora assume o papel de encenador reconhece que há muito cinematográfico na peça. “É uma peça com um lado emocional, mas sobretudo muito de uma mecânica de um teatro de atores, de diálogo em que as coisas não são reveladas. Vamos tentando perceber e intuir”, refere.

João Pedro Vaz confessa que gostou muito de trabalhar com Barreto Guimarães. “Ele começou a fazer também parte da equipa. É a primeira peça dele a ser encenada, portanto, veio ver ensaios e queria ter vindo de mais, mas não conseguiu, porque não mora cá em Lisboa. Foi só por isso, senão acho que ele estava cá quase muitos dias!” afirma.

Depois de uma temporada no Teatro Aberto até 26 de julho, “Caravana” segue viagem para o Porto, para o Teatro Nacional São João, a partir de 19 de Setembro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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