Vida Justa convoca manifestação contra "decisão injusta" sobre homicídio de Odair Moniz

Vida Justa convoca manifestação contra "decisão injusta" sobre homicídio de Odair Moniz

  • 19/06/2026 05:45
  • Redação

O movimento Vida Justa convocou uma manifestação para sábado, em Lisboa, contra a "decisão injusta e desumana" da justiça portuguesa sobre o homicídio de Odair Moniz por um agente policial.

Na segunda-feira, o Tribunal de Sintra condenou Bruno Pinto, agente da Polícia de Segurança Pública, pelo homicídio do cabo-verdiano de 43 anos, baleado na Cova da Moura, no concelho da Amadora (distrito de Lisboa), em outubro de 2024.

Porém, ao mesmo tempo, decidiu aplicar pelo crime uma pena suspensa de três anos e seis meses, considerando ainda que Bruno Pinto pode continuar a ser polícia.

"Não se consegue perceber como é que um homicídio simples, com dolo eventual, de pena de oito a 16 anos, de repente se torna numa pena suspensa três anos e seis meses", questiona Flávio Almada, fundador e porta-voz do Vida Justa.

Assinalando, em declarações à Lusa, que "grande parte da população dos bairros considera esta decisão uma decisão injusta", Flávio Almada aponta o dedo à justiça: "Há casos em que pessoas dos nossos bairros são mortas pela polícia e é a vítima que é julgada, é a vítima que é condenada e é a vítima que é desumanizada.".

De acordo com o acórdão do Tribunal de Sintra, a que a Lusa teve acesso, o coletivo liderado pela juíza Ana Sequeira entendeu que Bruno Pinto não agiu por preconceito, afastando a hipótese de crime de ódio, e que quis apenas "concretizar uma detenção legítima".

Por isso, se, por um lado, Bruno Pinto matou Odair Moniz com dois tiros, por outro, "o circunstancialismo da sua ação atenua o seu desvalor, a sua ilicitude, já que o arguido agiu para se defender numa situação de grande tensão e dificuldade, mesmo para um polícia", considerou o tribunal.

"A lista de absurdos no julgamento evidencia que a justiça não escapa ao racismo estrutural", constata o Vida Justa, no comunicado sobre a manifestação convocada para sábado.

A sentença do Tribunal de Sintra "transforma vítimas de racismo e violência policial em culpados", considera, contabilizando que "66 pessoas foram mortas [pelas forças de segurança] nos últimos 25 anos, sobretudo nos bairros", ao mesmo tempo que "a esmagadora maioria dos polícias não foram condenados pelos tribunais".

Apesar de não ter sido condenado a prisão efetiva, Bruno Pinto foi condenado a pagar um total de 90 mil euros em indemnizações: 30 mil euros aos três herdeiros de Odair Moniz pela perda do direito à vida, 20 mil euros à viúva de Odair Moniz e 40 mil euros aos dois filhos de Odair Moniz por danos não patrimoniais.

O polícia terá ainda de pagar uma pensão de 220 euros a um dos filhos de Odair Moniz até este completar 18 anos.

"Sem justiça não há paz", resume o Vida Justa, prometendo: "Não esquecemos, nem perdoamos o assassinato de Odair Moniz".

O Ministério Público já anunciou que vai recorrer da sentença atribuída ao agente Bruno Pinto.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: