Greve de trabalhadores da saúde com adesão entre 70 e 80%

Greve de trabalhadores da saúde com adesão entre 70 e 80%

  • 19/06/2026 07:43
  • Redação

"Estamos com uma adesão expressiva a esta greve", afirmou esta manhã, à porta do Hospital de Santa Maria, Sebastião Santana, coordenador nacional da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Trata-se de uma greve dos trabalhadores das carreiras especiais da saúde, que engloba sobretudo técnicos auxiliares de saúde, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e técnicos superiores de saúde — para além dos trabalhadores que os sindicatos dizem ter ficado sem carreira: os assistentes operacionais e os assistentes técnicos.

"É a eles que esta greve é dirigida", explicou Sebastião Santana, que garantiu uma adesão significativa ao protesto em todo o país.

"Temos perturbações em blocos operatórios, a funcionar apenas com serviços mínimos em muitos pontos do país, consultas externas também com perturbações e urgências a funcionar com serviços mínimos. Temos uma adesão entre os 70% e os 80%, em média, em todo o país", referiu.

O dirigente sindical acrescentou que as unidades de saúde mais afetadas são os hospitais de Coimbra, Santa Maria e São José, em Lisboa, e São João, no Porto.

A Federação considera que estes são trabalhadores "que não costumam aparecer muito nas notícias", mas que são essenciais ao Serviço Nacional de Saúde.

"Foi preciso marcarmos esta greve para que ontem o Ministério da Saúde finalmente desencantasse uma data para haver uma reunião sobre os técnicos auxiliares de saúde", afirmou Sebastião Santana, adiantando que estarão várias reivindicações em cima da mesa.

"É preciso negociar um acordo coletivo de trabalho, porque destruiu-se o vínculo público para a esmagadora maioria dos trabalhadores, que hoje têm um contrato individual de trabalho. Depois, é preciso valorizar esta carreira, porque os trabalhadores ganham, à entrada, em média, apenas mais 50 euros do que o salário mínimo nacional."

Em relação aos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, aquilo que a Federação exige é a "não ostracização" desta carreira.

"São pessoas licenciadas, altamente especializadas, com um papel absolutamente determinante no Serviço Nacional de Saúde. Continuam, porém, a ser marginalizados. Continuamos a ter uma diferença entre trabalhadores com a mesma formação, o que não é aceitável, uma diferença salarial objetiva."

Caso a reunião com o ministério não corra da melhor forma, os sindicatos já sabem o que fazer.

"Vamos fazer o que estamos a fazer hoje e o que temos vindo a fazer há muito tempo, que é continuar os processos de luta que, está mais do que visto, funcionam. Vamos intensificar a luta, com greves, manifestações e com tudo o que entendermos necessário."

A Federação considera que o que está em causa "é uma política de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde".

"Para nós, é absolutamente evidente, quer pelo subfinanciamento, quer pela falta de abertura de concursos, pela não substituição dos trabalhadores que saem ou pela desvalorização das carreiras, que empurra as pessoas para outros setores e, em muitos casos, até para fora do país. Isto faz parte de uma estratégia do Governo."

Para Sebastião Santana, o Serviço Nacional de Saúde, mais do que um local de trabalho, "é um direito de toda a população que tem de ser garantido".

  • Fonte: Rádio Renascença
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