Como um cão e um influencer nigeriano puseram milhões a falar de saúde mental
- 19/06/2026 09:10
- Redação
No último vídeo publicado no Instagram, com uma voz calma e pausada, o influenciador nigeriano Oreoluwa Osoba diz ao pequeno cão, um schnauzer, Oga Duke: “Vou ao ginásio. Venho bem rápido. Não sintas muito a minha falta. Lembra-te do filho que és. Porta-te bem e faz com que tenha orgulho de ti.” Dá-lhe um beijo na testa. E repete: “Eu volto rápido e dou-te uns biscoitos se te portares bem.”
O cão, vestido com uma t-shirt laranja, olha para ele atentamente, e quando Osoba diz “combinado?” e cerra o punho, o schnauzer responde ao cumprimento levantando a pata em direção ao dono.
Este é apenas um dos exemplos de como Oreoluwa Osoba e Duke se converteram num fenómeno das redes sociais Instagram e Tik-Tok. Mas mais do que o sucesso mediático, este jovem não tem dúvidas de que o pequeno Duke lhe “mudou a vida” de formas que, diz, “nunca conseguirei explicar completamente.”
A maior parte dos vídeos desta dupla segue um roteiro comum. Ele e Duke estão no sofá, sentados lado a lado, com a câmara a filmá-los de frente.
Mas há uma história por detrás desta relação. Oreoluwa sofria de depressão até que o canino chegou à sua vida e, por isso, as publicações, que além de divertirem muito (facilmente ficamos a ver vídeos sem parar), voltaram a centrar a discussão sobre a saúde mental e o poder dos animais para a melhorar.
“Há três anos pensei em acabar com tudo, estava inundado por um choro profundo em que afundava. Mas Deus mandou-me um salva-vidas, o Duke”, disse o influencer.
Quando foi buscar este animal de estimação, ele confessa que primeiro pensou que seria alguém para “passear, alimentar e brincar”. “Mas agora é o meu melhor amigo, um professor e um cuidador silencioso”, acrescenta.
A BBC, que dedicou a Osoba uma história no serviço internacional. Ali escreve que embora “a saúde mental dos homens seja frequentemente menosprezada, a ligação visível entre ambos rompe com o estigma e mostra como uma relação entre humanos e animais pode reescrever crenças arraigadas sobre a saúde mental dos homens e os animais de estimação”.
O nigeriano confessa ter sentido o poder transformador do cão. “Quando a minha saúde mental estava no ponto mais baixo, ele deu-me conforto, uma rotina, um propósito e amor incondicional", afirma.
“Ele ajudou a curar-me e ensinou-me que é normal amar e mostrar o que sentimos”, disse o influencer à BBC.
O jovem nigeriano usa uma voz calma, às vezes de ligeira repreensão, algo que confessou ao LA Times que não foi pensado.
“O Duke e eu sempre tivemos essa ligação”, afirma. “Sempre fui um pai nigeriano para ele… Ao crescer na Nigéria, fui criado com o 'tom nigeriano', aquele tom engraçado, mas muito carinhoso e protetor, por isso acho que isso simplesmente se tornou natural para mim.”
Com o Duke, acrescentou, “sou um pai africano que só quer amá-lo, cuidar dele e protegê-lo.”
Num outro vídeo em que Duke, vestido com uma saia, está com as patas nos ombros de Osoba, o dono explica ao cão: “O pai tem de ir trabalhar esta manhã. Sei que não estás feliz com isso, mas é assim que eu posso pagar o estilo de vida que tens. Vês quantos brinquedos tens e a comida que te dou? É o trabalho que permite que te o dê. Por isso, vamos rapidamente lavar os teus dentes e limpar as tuas patas.”
A cumplicidade entre os dois é visível em cada interação, por isso não surpreende que Oreoluwa Osoba diga: “Ele é mais do que um cão, é meu amigo, um apoio, e algo que me faz lembrar que mesmo nos dias mais difíceis não estou sozinho”.
Esta relação com milhões de seguidores lançou em África o reforço de um movimento para que os animais sejam mais bem tratados.
Num outro vídeo, irresistível, Osoba diz a Duke que ele tem de tomar banho. O cão estende o focinho para o ouvido do dono como se lhe estivesse a contar um segredo e ele responde: “Tem mesmo de ser, vais ficar a cheirar bem e as miúdas vão gostar mais de ti, vais ver.”
Duke chega a parecer um humano, e isso é relatado por Oreoluwa contando que o cão “sempre se comportou como um velhinho”.
“Quando o adotei, fiquei tão surpreendido com o comportamento dele e os seus gestos que isso, de certa forma, contribuiu para que eu começasse a falar com ele como se fosse um ser humano”, rematou ao LA Times.