Ameaças da extrema-direita a Montenegro. "A minha mulher e a minha família" souberam pela comunicação social
- 19/06/2026 11:58
- Redação
Luís Montenegro disse, durante a conferência de imprensa que sucedeu ao Conselho Europeu, lamentar “profundamente que uma questão que coloca em causa a segurança de um cidadão, no caso o primeiro-ministro e a sua família, mas podia ser aplicável a qualquer português, não tivesse sido partilhado com os próprios”.
O chefe do Governo falava sobre o grupo neonazi, liderado por um chefe da PSP, que é acusado de vários crimes e que, segundo a acusação do Ministério Público, terá chegado a planear um ataque à residência oficial do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que incluía a utilização de granadas.
“Posso até confidenciar que foi extremamente delicado que a minha família, nomeadamente a minha mulher e os meus filhos, tivessem tido essa notícia da forma igualmente surpreendente e sem poderem falar inclusivamente comigo”, sublinhou.
Montenegro estava numa reunião em que não podia ser contatado, quando a informação se tornou pública.
“Parece-me que — se estiver em causa uma ameaça da gravidade daquela que foi veiculada, da possibilidade de utilizar engenhos explosivos e armamento militar para uma habitação de um cidadão —, que isso não possa ser alvo, naturalmente, de uma informação”, descreveu em Bruxelas.
Ainda assim, Montenegro não fala de falha de segurança. “Não, não quero dizer isso. O que quero dizer é que a informação, a forma como a informação foi conhecida pelas pessoas visadas, que éramos nós, não foi, na minha opinião, aquela que deveria ter sido”, concretizou.
E concluiu a dizer que não está preocupado com este caso, “mas estou preocupado com a possibilidade de isto acontecer a qualquer cidadão português”.
A acusação do Ministério Público, conhecida na quinta-feira, refere que os nove elementos do Movimento Armilar Lusitano, onde estará um chefe da PSP, estão acusados de vários crimes e terão chegado a preparar um plano para atacar a casa de Luís Montenegro.
Entre os nomes referidos constam o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ex-primeiro-ministro António Costa. A lista incluía também o humorista Ricardo Araújo Pereira, o locutor e humorista Nuno Markl, o ativista Mamadou Ba, o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares e o músico Dino D'Santiago.
Entre as entidades visadas surgem ainda a SOS Racismo, o Alto Comissariado para as Migrações e o Movimento Vida Justa.
Perante a dimensão do caso, Luís Carrilho insistiu que o foco deve estar no trabalho das autoridades e dos tribunais, reiterando a necessidade de respeitar a presunção de inocência enquanto o processo segue os seus trâmites judiciais.