"Brincar com as pensões" e um partido que "não se vende". Reações ao chumbo do pacote laboral

  • 19/06/2026 12:12
  • Redação

Depois do desfecho da votação na Assembleia da República, o líder parlamentar do PSD acusou o Chega de ter tentado colocar "em causa a sustentabilidade da Segurança Social" e "brincar com as pensões" à "25.ª hora", durante as negociações sobre a reforma laboral.

"O que aconteceu é muito simples: à 25.ª hora, o deputado André Ventura quis pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social e com o PSD ninguém brinca com as pensões dos portugueses", defendeu Hugo Soares, na primeira reação após o chumbo da reforma laboral apresentada pelo Governo, com votos contra da esquerda parlamentar e do Chega.

Durante uma intervenção de voto oral, ainda no hemiciclo, o social-democrata salientou que para a sua bancada as pensões "não são motivo de brincadeira nem de precipitações de última hora".

Hugo Soares disse ainda que "muitos falam de reformas, mas poucos são capazes de as fazer" e que o PSD "levou à sério este processo na concertação social" e no parlamento.

"Infelizmente, o Partido Chega não concordou e, portanto, fez depender o apoio às alterações da legislação laboral, que, diga-se também, não incorporavam nenhuma matéria relativa a reformas e a pensões, mas fez depender a sua posição dessa condição", disse o líder do Governo, depois da reunião do Conselho Europeu.

A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi hoje chumbada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.

O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.

Numa declaração posterior, André Ventura recusou a crítica e remeteu para uma notícia de maio, indicando que já nessa altura o Chega defendia a redução da idade da reforma. "Se isto é última hora, nós não estamos habituados a vender-nos", afirmou.

O líder do Chega também recorreu às redes sociais para afirmar que o partido "não se vende, nem verga". Justificou o voto contra a revisão da lei laboral dizendo que quem não aceita descer a idade da reforma não conta com o partido.

O "Governo e as suas muletas têm de perceber que o Chega não se vende, nem verga". "Ou aceitam proteger quem trabalha, ou aceitam corrigir a imoralidade da idade da reforma e das reformas milionárias, ou não contam connosco!", indicou, numa mensagem publicada momentos após a votação.

Já o líder parlamentar do PS afirmou que os trabalhadores vão agradecer aos que "mantiveram as suas convicções sempre" na "defesa do trabalho" e acusou o Chega de "bater em retirada", derrotado pelas centrais sindicais.

"Este projeto, este pacote laboral era um pacote negativo, não era apenas contra os trabalhadores, era contra a economia que queremos ser", afirmou Eurico Brilhante Dias, no Parlamento.

O líder da bancada socialista frisou que a produtividade não deve aumentar "empobrecendo os mais pobres" e desvalorizando o trabalho, mas sim por via de maior qualificação de empresas e trabalhadores.

"Esta reforma laboral atrasava o país no caminho da qualificação e de melhores salários. Não se melhora a economia nem a nossa comunidade desvalorizando quem trabalha. E esta proposta desvalorizava quem trabalha", criticou.

Brilhante Dias considerou ainda que hoje foi um dia de "aprendizagem coletiva" sobre a importância de um debate político com firmeza nas convicções.

"Hoje os portugueses vão agradecer àqueles que mantiveram as suas convicções sempre, na defesa de uma comunidade melhor, na defesa do trabalho", acrescentou, agradecendo aos sindicalistas da UGT e da CGTP, bem como dos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), alguns dos quais sentados na bancada do PSD.

Em declarações aos jornalistas, já fora do hemiciclo, Brilhante Dias argumentou que o Chega "bateu em retirada", derrotado pela força dos argumentos das centrais sindicais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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