António Costa: "A UE não é, nem tenciona ser, mediadora" com a Rússia

  • 19/06/2026 12:44
  • Redação

Acabou por ser este o tema mais mediático do Conselho Europeu, em Bruxelas, que motivou, aliás, uma permanência do Presidente da Ucrânia na sala da cimeira durante muito mais tempo do que o habitual. Se entre os "27" foi apontado algum nome, como possível representante da União Europeia em futuras negociações com a Rússia, não se sabe. Certo é que, nos bastidores, o nome claramente mais falado foi o do próprio António Costa, enquanto presidente do Conselho.

Na conferência de imprensa que encerrou este Conselho Europeu, António Costa admite ter aproveitado a reunião para desfazer alguns equívocos.

Desde logo o presidente do Conselho Europeu garante que a União não pretende, nem vai assumir o papel de mediador, porque está, e estará, claramente ao lado da Ucrânia, durante e depois da guerra.

“A União Europeia não é, nem tenciona ser, mediadora. A União Europeia está do lado da Ucrânia. Temos estado ao lado da Ucrânia durante a guerra e continuaremos ao lado da Ucrânia após a guerra. Em segundo lugar, o que também é claro, infelizmente, é que não temos sinais credíveis da Rússia de que esta pretende, por enquanto, encetar negociações sérias.”

Apesar de insistir que não existe ainda qualquer sinal positivo de Moscovo, o presidente do Conselho Europeu confirma que tomou a iniciativa de abrir, nas últimas semanas, um canal diplomático de contacto com a Rússia.

“O que estou a fazer através do meu gabinete é estabelecer um canal diplomático, porque não podemos depender apenas de terceiros para interpretar as mensagens russas e temos de ser capazes de transmitir diretamente à Rússia as nossas próprias mensagens.”

António Costa não quer intermediários e lembra também que a União Europeia não deixa de ser uma parte interessada na paz: “Só a Ucrânia pode negociar em nome da Ucrânia, mas no que diz respeito aos interesses da União Europeia terão de ser defendidos pelas instituições da União Europeia, em conformidade com os tratados. E, como sabem, a Ursula [von der Leyen] e eu trabalhamos sempre em equipa”.

Quanto ao tema central deste segundo dia de Conselho Europeu – a negociação do próximo Quadro financeiro Plurianual – as conclusões nada dizem de novo. Apesar das divisões que persistem entre os chamados países frugais, e os defensores da coesão, sobretudo os países do sul da Europa, incluindo Portugal, todos parecem de acordo num ponto: é importante chegar a acordo até ao final deste ano. 2027 é um ano politicamente instável com eleições em França e na Itália, e convém evitar derrapagens porque o orçamento comunitário terá que entrar em vigor a 1 de janeiro de 2028. Caso contrário a Europa entrará na gestão por duodécimos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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