Médio Oriente: sem acordo "produção agrícola pode ficar em risco"
- 19/06/2026 16:31
- Redação
A guerra no Médio Oriente não teve “repercussões relativamente às matérias-primas fundamentais para indústria agroalimentar”, mas “teve um impacto enorme no preço da energia e nos preços dos combustíveis”, afirma Jorge Henriques, presidente da Federação Portuguesa das Indústrias Agroalimentares (FIPA).
O líder da FIPA não esconde o receio sobre o que possa acontecer se o memorando de entendimento, que foi assinado entre Estados Unidos e Irão, não tiver consequências e o Estreito de Ormuz voltar a ficar bloqueado, impedindo a passagem de fertilizantes.
Jorge Henriques antecipa que face a esse cenário, "o que pode estar em perigo é a produção agrícola para 2027 e depois o impacto que isso terá naturalmente no abastecimento da indústria agroalimentar”.
Para Jorge Henriques, é fundamental o país “aumentar a capacidade de produção”, nomeadamente na “transformação dos produtos agrícolas em geral, mas em particular dos frutos”, garantindo que “há condições extraordinárias para valorizar os produtos da agricultura, assim, consigamos, do ponto de vista da agenda política, considerar o setor da indústria agroalimentar e bebidas como estratégico”.
Jorge Henriques salienta que “a destruição ainda está bem visível na zona centro” do país e algumas indústrias, “que são nossas fornecedoras de matérias-primas ainda não recuperaram, há algumas unidades industriais que não têm os seus sistemas informáticos de comunicações e até, em algumas situações, a própria energia totalmente estabilizados”.
Este responsável é taxativo ao dizer que se está “a demorar tempo a recuperar” e que o nível de destruição “não justifica alguma dificuldade em repor serviços”, considerando que é “verdadeiramente inaceitável que não se consiga analisar os processos de reconstrução e dar um parecer definitivo sobre eles.
Apela, por isso, que “Câmaras, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, instituições locais se juntem e repartam recursos, deslocando alguns dos seus trabalhadores, dos seus funcionários, dos seus quadros, para ajudar as autarquias na análise, no parecer definitivo e decisão definitiva sobre processos”.
Jorge Henriques diz que “há muita burocracia” e deposita esperança quanto à aplicação do PTRR, que “começou-se a desenhar há pouco tempo”, admitindo que está na expectativa “de olhar e procurar encontrar os instrumentos e os meios de financiamento adequados à modernização do tecido produtivo nacional”.