Estado de Emergência declarado na Bolívia após sete semanas de protestos
- 20/06/2026 05:20
- Redação
Foi declarado, este sábado, o estado de emergência na Bolívia. O Presidente, Rodrigo Paz, impôs a medida para permitir um maior destacamento militar para restabelecer a ordem e desmantelar os bloqueios que estão a paralisar a economia daquele país há sete semanas.
A medida foi anunciada numa mensagem em direto à Nação. "Ordenei a aplicação do estado de emergência para desobstruir as estradas do país. Os bolivianos não podem continuar reféns de bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber cuidados médicos, obter mantimentos e sustentar as suas famílias", declarou Paz, também nas redes sociais.
O anúncio acontece poucas horas depois de Paz ter revelado ter alcançado um princípio de entendimento com a Central Operária Boliviana (COB), o principal sindicato em protesto, que visa aliviar a tensão gerada depois de terem sido cortados os subsídios aos combustíveis, com novas leis para os mineiros das terras e os baixos salários a contribuírem para o escalar da tensão naquele país sul-americano.
O acordo com a COB foi assinado por Paz e pelo mineiro Mario Argollo, líder da organização sindical boliviana, no seguimento de uma reunião realizada à porta fechada entre a central operária e alguns dos principais ministros daquele país. "A partir deste momento, as medidas de pressão a nível nacional estão a ser levantadas, com o compromisso do Governo de cumprir imediatamente tudo o que foi acordado", declarou Argollo, aos jornalistas.
Entre as medidas acordadas pelas partes está a libertação dos manifestantes detidos durante os protestos, passo tido como fundamental para a COB continuar o diálogo. No entretanto, o acordo tem "prazos definidos de 90 dias", segundo avança Mario Argollo, com grupos de trabalho a mediar a sua execução a partir de quarta-feira.
Já Paz assegura que a medida não pretende "eliminar a normalidade, mas sim restaurá-la": o país, necessita urgentemente de "recuperar as suas estradas, garantir o abastecimento e regressar à normalidade".
Os efeitos desta medida, no entanto, podem não ser suficientes, uma vez que outros sindicatos de camponeses, simpatizantes do anterior Presidente Evo Morales, vão manter, para já, o bloqueio das vias. A Federação Departamental de Camponeses de La Paz mantém bloqueios rodoviários desde 6 de maio e insiste na demissão de Rodrigo Paz, recusando-se a dialogar com o executivo.
O líder da COB, de resto, já foi criticado pelos camponeses, que o acusam de trair o povo. Argollo garante que não é um "traidor" e que apenas quer evitar que "se derrame sangue".
"Recorramos ao diálogo. Não permitamos que o país sofra mais e não fiquemos como os vilões da História", pediu. Paz reforçou a mesma mensagem, garantindo aos sindicatos e à Nação que "as portas do Governo continuarão abertas", mas só para "quem quiser dialogar de boa-fé".
Desde maio que o conflito tem vindo a escalar, gerando escassez de combustíveis, alimentos, medicamentos e outros bens essenciais em várias cidades bolivianas. De acordo com dados avançados pela imprensa local, podem ser contabilizadas pelo menos 16 mortes desde então, 13 das quais resultantes de falta de cuidados médicos impossibilitados em tempo útil pelos bloqueios. O prejuízo para a economia nacional já ultrapassa os 2,5 mil milhões de euros.