"Falta-lhes coragem": Montenegro critica Chega e "estratégia manhosa" do PS

"Falta-lhes coragem": Montenegro critica Chega e "estratégia manhosa" do PS

  • 20/06/2026 06:13
  • Redação

Na ressaca do chumbo da reforma laboral no Parlamento, esta sexta-feira, o primeiro-ministro atira-se aos dois maiores partidos da oposição: Chega e PS, que votaram contra e inviabilizaram a lei no Parlamento.

"As oposições destratam a mudança, falta-lhes a coragem. Falta-lhes o sentido de responsabilidade", ataca Luís Montenegro, no primeiro discurso que fez no Congresso do PSD, no Velódromo de Sangalhos, em Anadia, distrito de Aveiro.

O presidente do PSD concretiza: ""Para dizer mal de tudo não é preciso ter grande coragem. Para ser teleguiado por comentadores-mentores ou pelas tendências das redes sociais, não é preciso ter grande coragem. Para fazer cedências e fazer o que ainda ninguém fez é preciso ter verdadeira coragem".

"Respondemos com trabalho ao ruído e ao imobilismo. São tantos que desejam que fique tudo na mesma", argumenta.

Luís Montenegro fez uma espécie de raio-X ao atual momento político em Portugal e começou por garantir que o PSD não vai desacelerar, apesar da derrota com a reforma laboral no Parlamento.

Numa altura em que o PSD se junta - ainda a sofrer com as ondas de choque do inesperado chumbo da reforma laboral no Parlamento - o primeiro-ministro volta a recusar, implicitamente, um cenário de crise política.

"Seguimos juntos, preparados, com humildade, resistência, proximidade e ambição para Portugal", afirmou o Luís Montenegro, que promete continuar a governar "sem intrigas" e "sem politiquices".

Depois, o primeiro-ministro olhou para o que acredita ser o papel do Chega e do PS na oposição, refere-se a partidos em "empate técnico" e afirma que o "povo disse que os dois maiores partidos da oposição têm de dialogar com o Governo".

"O povo também decidiu que o PS e o Chega podem pontualmente decidir coisas. Mas pontualmente, está a acontecer muito mais vezes", critica o primeiro-ministro, numa referência às coligações negativas no Parlamento, como a retirada de portagens.

Quanto ao Governo, Montenegro acredita que está a fazer o que lhe pediram: "Temos seguido o que o povo nos pediu, quando negociamos com o PS o Orçamento do Estado, decidimos a localização do aeroporto. Ou quando convergimos com o Chega para baixar o IRS, nas políticas de imigração ou na Prestação Social Única".

Na altura de ser mais concreto nas críticas, o primeiro-ministro poupou mais o Chega do que o PS. Lamenta quem no PS deseja o "fracasso do Governo" e procura obrigar o Governo a voltar-se para o Chega: "É uma estratégia manhosa".

Sobre o seu futuro, Luís Montenegor diz que não tem nada a temer: "Não estou minimamente preocupado com o meu futuro político. Sabem que sou de arriscar. Não digo isto por arrogância, mas por desprendimento".

O líder do PSD começou por "agradecer profundamente" a presença dos militantes, mas prometeu: "Estamos aqui para preparar o que ainda não fizemos".

Luís Montenegro pede que o Congresso tenha "espírito crítico" e "abertura", e assinala que a reunião magna do PSD acontece depois de o partido ter vencido duas eleições legislativas, as autárquicas, as regionais na Madeira e nos Açores.

  • Fonte: Rádio Renascença
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