Professores pedem adiamento de exames devido ao calor extremo
- 20/06/2026 09:48
- Redação
Os professores pedem ao Ministério da Educação que reagende algumas datas dos exames nacionais por causa do calor extremo previsto para a próxima semana.
O Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades defende que não estão reunidas condições para que os alunos prestem provas em salas sem ar condicionado, sobretudo nos distritos do interior e do sul do país.
António Carlos Ramos, presidente do SPLIU, diz que o problema é especialmente grave nos exames com maior peso no acesso ao ensino superior, “alguns exames, designadamente aqueles que têm maior relevância, poderiam ser recalendarizados, uma vez que não haverá capacidade de concentração face a este calor extremo para os alunos prestarem as suas provas em condições adequadas”, afirma.
O dirigente sindical lembra que a maioria das salas de aula não tem climatização,“a maior parte das salas não tem ar condicionado, não há climatização. Será sempre um processo muito sofrível por parte de quem tem de prestar provas nestas condições”, acrescenta.
A preocupação aumenta porque, já na próxima terça-feira, dia em que se esperam temperaturas superiores a 40 graus em várias regiões, realiza-se o exame nacional de Matemática, uma das provas mais relevantes para muitos alunos que querem aceder ao ensino superior.
António Carlos Ramos garante que a maioria das escolas portuguesas não está preparada para enfrentar uma onda de calor, “com certeza que não está. Essa é uma realidade inequívoca. Se fizerem um trabalho de investigação no terreno, facilmente chegarão a essa conclusão”, sustenta.
O presidente do SPLIU aponta sobretudo para os distritos do interior e do sul, onde o calor deverá ser mais difícil de suportar dentro das salas de aula, “a maioria significativa das escolas não tem estes equipamentos e a próxima semana vai ser uma semana de tortura para alunos e professores. Já no ano passado tivemos pessoas a desfalecer nesta altura do ano e esperamos que não se volte a repetir”, alerta.
Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e Santarém estão entre os distritos que mais preocupam o sindicato.
O problema não se limita aos alunos que vão fazer exames nacionais. O SPLIU lembra que há ainda milhares de crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo em atividade letiva, além de alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos envolvidos nas provas, “são muitos alunos, muitos professores e muitos funcionários envolvidos em todo este processo. É praticamente impossível trabalhar nestas condições, com crianças que sofrem, e muito”, afirma António Carlos Ramos.
Além do pedido ao Ministério da Educação para reagendar alguns exames, o sindicato quer reunir com a Associação Nacional de Municípios Portugueses para sensibilizar os autarcas para a necessidade de medidas de mitigação do calor nas escolas, incluindo a instalação de sistemas de climatização.