Palma Ramalho não desiste da reforma laboral: “Obrigada, senhor primeiro-ministro, lá iremos fazer esta e outras reformas”
- 20/06/2026 12:01
- Redação
Aplaudida de pé no Congresso do PSD, que está a decorrer no Velódromo de Sangalhos, no concelho de Anadia, a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, discursou perante os congressistas para agradecer ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, o “sentido de estado” que teve na negociação da reforma laboral e terminou a intervenção a sugerir que o Governo não irá desistir das alterações ao Código de Trabalho.
“Muito obrigada, Sr. primeiro-ministro e se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras reformas pelos portugueses e por Portugal”, disse Palma Ramalho na intervenção ao Congresso sobre as alterações à legislação do trabalho, com a ministra a salientar o total envolvimento de Montenegro no processo de negociação do pacote.
“A reforma laboral foi, como sabem, um projeto do Governo. À ministra do Trabalho apenas coube apresentá-la e defendê-la em nome do Governo, o que procurei fazer o melhor que sei e o melhor que consegui. Mas queria agradecer publicamente o total empenho e comprometimento do Sr. Primeiro-Ministro neste projeto e o suporte total e público que deu a esta ministra em todas as etapas deste processo”, referiu Palma Ramalho, afastando a tese de que a reforma laboral constituiu um seu projeto pessoal.
Insistindo que o chumbo da proposta do Governo foi uma “oportunidade perdida”, a ministra do Trabalho referiu que “apesar de não o desejarmos, o desfecho deste processo é mais uma demonstração do sentido de Estado do Sr. primeiro-ministro”, na sequência da recusa de baixar a idade da reforma como queria o Chega.
Se tal acontecesse, defendeu a ministra, “Inevitavelmente, quebraria o contrato de confiança entre os portugueses e o Estado quanto à garantia das suas pensões futuras. Nestas circunstâncias, quero dizer que a opção do Governo não poderia ter sido outra, a bem dos portugueses, e os portugueses certamente saberão retirar daqui as devidas ilações”.
A ministra atirou ainda aos partidos que à esquerda e à direita no Parlamento chumbaram a proposta do Governo, em “mais uma coligação entre os partidos da oposição que, apesar de se sentarem em lados opostos do hemiciclo, talvez não sejam tão diferentes assim”, colando o PS ao Chega, um dos motes das intervenções de topo deste Congresso.
Sem nomear nenhum dos partidos da oposição, Palma Ramalho referiu que “todos conhecem bem os nossos adversários, uns que, por não suportarem não estar no Governo, fizeram desta reforma uma afronta pessoal e outros que votam em função da sondagem do dia e das tendências do TikTok”, atirando ao Chega e ao PS.
À exceção do ministro da Defesa e líder do CDS-PP, Nuno Melo, todos os ministros têm discursado no palco do congresso de Sangalhos, mesmo os que não têm cartão de militante, como são os casos de Maria do Rosário Palma Ramalho ou do ministro da Administração Interna, Luís Neves ou ainda o ministro da Educação, Fernando Alexandre.