Papa em Pavia: “Todos os cidadãos são responsáveis pelo espaço público”

Papa em Pavia: “Todos os cidadãos são responsáveis pelo espaço público”

  • 20/06/2026 13:43
  • Redação

“Todos queremos viver em paz. É muito importante que nunca percamos a esperança”, disse Leão XIV esta tarde, na cidade de Pavia. Num encontro com responsáveis da cidade, autarcas, autoridades e população, o Papa citou Santo Agostinho para afirmar que “se queremos mudar os tempos, se queremos que o mundo viva em paz, devemos começar por nós próprios”.

E acrescentou: “Basta de palavras de ódio, basta de insultos, basta de intimidação, basta de todas estas coisas que criam guerra entre pessoas, entre comunidades, entre países. Todos devemos aprender a ser pacificadores e promotores da reconciliação.”

O Santo Padre lembrou que todos os cidadãos são responsáveis pelo espaço público. Por isso, “face aos desafios atuais, perguntemo-nos o que fortalece e o que corrói os nossos lares; o que estabiliza e o que prejudica a nossa sociedade. Caso contrário, o que pertence a todos corre o risco de não pertencer a ninguém”.

Leão XIV pediu uma “participação ativa de todos na vida da cidade” e sublinhou que, “perante as formas de degradação e analfabetismo cívico, somos chamados a partilhar linguagens de dedicação e serviço, que preservem as praças, os parques e as ruas como pontos de encontro por excelência”.

Ao início da tarde, Leão XIV presidiu a um momento de oração na Basílica de San Pietro in Ciel d’Oro, onde, desde o século VIII, se encontram as relíquias de Santo Agostinho.

“A figura deste santo brilha com uma luz preciosa. O seu pensamento, a história da sua conversão e da sua espiritualidade recordam-nos o valor e a primazia da interioridade”, disse o Papa.

Leão XIV, que se considera filho espiritual de Santo Agostinho, aconselhou a “não nos perdermos na fragmentação externa e a procurarmos um sentido que guie as nossas vidas e relacionamentos”. Trata-se de uma necessidade comum a todos, “mesmo na pressa e dispersão do quotidiano, sobretudo nas questões dos mais jovens”, afirmou.

“Numa época em que muitas pessoas parecem ter perdido o gosto pela espiritualidade (...), somos chamados, antes de mais, a levar o anúncio do Evangelho, um anúncio alegre e libertador de Jesus Cristo”, pediu o Santo Padre aos fiéis.

Antes de rezar nesta basílica, Leão XIV visitou o CNAO – Centro Nacional de Adroterapia Oncológica, um centro de referência em radioterapia avançada, onde saudou individualmente crianças e outros doentes em tratamento, bem como as suas famílias.

“Deus não quer que ninguém sofra”, afirmou o Papa aos doentes. “O que Deus nos promete é que Ele estará sempre presente, mesmo quando estamos demasiado fracos; Ele envia-nos anjos.”

De seguida, agradeceu ao CNAO, “que opera milagres”, e a toda a equipa, “porque Deus age nas nossas vidas também através de médicos, enfermeiros e tantas outras pessoas”.

Por fim, recomendou a todos: “Quando as coisas se tornarem difíceis, depositemos toda a nossa confiança em Deus.”

Antes de regressar a Roma, Leão XIV ainda viajou de helicóptero até Sant’Angelo Lodigiano, terra da Santa Francesca Cabrini, padroeira dos migrantes e primeira santa dos Estados Unidos que morreu, em Chicago, cidade natal de Prevost, em 1917.

“Se a Madre Cabrini vivesse hoje, o que diria a sua alma missionária?”, interrogou o Santo Padre numa breve homilia que proferiu na paróquia onde se venera, como relíquia, o coração desta santa. Leão XIV sublinhou a profunda atualidade deste “carisma missionário ao serviço dos migrantes”, promovida no pontificado anterior pelo Papa Francisco, também ele descendente de emigrantes.

Prevost pediu, especialmente aos jovens, que conheçam esta Santa: “Leiam os seus escritos, cheios de paixão por Jesus e pela missão, leiam as suas cartas e diários de viagem, os apontamentos dos seus retiros e ficareis conquistados pela Madre Cabrini, cuja alma era ao mesmo tempo contemplativa e ativa”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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