De uma “experiência incrível” ao “muito difícil arranjar sombras”. A crónica do primeiro dia de festival

De uma “experiência incrível” ao “muito difícil arranjar sombras”. A crónica do primeiro dia de festival

  • 20/06/2026 10:52
  • Redação

O responsável pela operação médica chama-lhe um “pequeno hospital”. E assim parece a olho nu. Cumprido o processo de triagem, há cadeiras para quem precisa de ficar à espera e ordem de prioridades no atendimento. Cada sala tem as suas especificidades: uma delas tem quatro camas hospitalares, que permitem monitorização ao segundo; uma outra, de imagiologia, tem disponível um serviço de raio-x.

O centro médico encontra-se no meio do recinto e é acessível por todos, estando também indicado ao longo dos vários percursos disponíveis rumo aos palcos e atrações. Com cerca de 220 profissionais, incluindo médicos e enfermeiros, ao longo dos dias de festival, acompanhados por quatro ambulâncias, está “equipado para fazer face a praticamente todas as ocorrências que possam acontecer durante o evento: desde as mais simples, que são felizmente a maioria, mas estamos também preparados para alguma ocorrência mais séria” – explica o Doutor Nuno Candeias, coordenador da operação. Para casos extremíssimos está até disponível material de reanimação.

Por aqui o calor é muito. Aliás, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, as previsões apontavam para 32 graus de máxima este Sábado na capital do país. Os cuidados a ter são, por isso, os do costume com esta temperatura, num espaço (o Parque Papa Francisco) que não tem muitas sombras disponíveis: “procurar a sombra possível, hidratarem-se muito bem, porem muito protetor solar e usarem chapéu”. Sendo um espaço ao ar livre, recomenda-se também “cuidado com as potenciais armadilhas que possa haver no chão”, de forma a evitar tropeções e quedas que causem dano.

Há quem venha pela primeira vez e há quem conheça de uma ponta à outra o Parque Papa Francisco, estreado no ano passado em andanças de Rock in Rio. “Katy Perry”, sem hesitar, “Calema sei que vai ser fantástico”, “Pedro Sampaio” ou “Charlie Puth” estão entre os nomes mais sonantes deste primeiro dia de festival e são naturais respostas a uma pergunta tão simples como “quem vieram ver?”.

Mais à frente encontramos uma família, como tantas outras que por estes dias passam pelo RiR. O pai atravessa-se no microfone e, tímido, cumpre a missão, também ela, de tantos outros pais por estes dias: “As miúdas vieram ver Katy Perry”. Ao lado responde-se: “Vamos ficar o dia todo e queremos ver, no geral, tudo”.

Aconteceu na Jornada Mundial da Juventude em 2023, quando mais de um milhão de pessoas pisaram este terreno. Aconteceu há dois anos na primeira edição do Rock in Rio Lisboa na era pós Parque da Bela Vista (de quem muitos ainda dizer ter saudades). E volta a acontecer este ano. “É muito difícil arranjar sombra”, resume uma de muitas jovens que procurou abrigo junto aos caixotes do lixo e reciclagens presentes no espaço. “Está muito difícil com sombras, tem de ser aqui ao pé do lixo mesmo”, complementa a amiga, sentada mesmo ao lado faz já uma hora para descansarem a pele e enganar o sol.

Mais abaixo o mesmo cenário. Um casal, visivelmente estafado pelo sol – ainda que animado pelos concertos que tanto aguardam – repousam com as costas descansadas a um caixote verde. “Está muito calor e foi o único sítio que encontrámos”, riem-se. Pelo recinto, encostados aos stands de empresas e aos locais onde as marcas se concentram, muitos outros encontram um espacinho onde descansar mais frescos (mesmo que em pequenos recantos onde os pés, se esticados, voltam à chapa do quente).

Por fim, vamos até aos pontos de distribuição de água gratuitos, onde a fila se move normalmente para um local de enchentes, ao ritmo da paciência de cada: sem que ninguém pareça, na verdade, chatear-se. “Está a ser muito giro, há muitas filas, mas tudo a andar. Muito sítio para beber água, muitas casas de banho, tudo tranquilo”, diz uma mãe que acompanha a filha nesta demanda. Tendo participado na edição de há dois anos, garante que tudo “melhorou” em termos gerais, mas se tivesse de fazer algum reparo não tem dúvidas: “mais sombras era preciso, mas não se pode ter tudo”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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