Negociações entre Irão e EUA arrancam na Suíça sob sombra de nova escalada no Líbano
- 20/06/2026 16:50
- Redação
Uma delegação iraniana de alto nível partiu este sábado para a Suíça para participar em negociações de paz com os Estados Unidos, avançou a comunicação social estatal iraniana. Ao mesmo tempo, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, indicou que deverá viajar em breve para reuniões que, segundo o Paquistão, terão início no domingo.
A equipa iraniana é liderada por Mohammad Baqer Qalibaf e integra o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, além de responsáveis ligados à segurança, ao setor petrolífero e ao banco central do país.
As conversações decorrem ao abrigo de um acordo provisório assinado esta semana entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que prevê uma trégua de 60 dias para permitir negociações sobre o programa nuclear iraniano e outros dossiers estratégicos.
Apesar do entendimento alcançado, a situação agravou-se quando o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás.
Teerão justificou a decisão com aquilo que considera serem violações dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos e com a continuação das operações militares israelitas no Líbano. As autoridades iranianas alertaram ainda que qualquer embarcação que se aproximasse da zona poderia enfrentar riscos de segurança.
Por sua vez, o Comando Central dos Estados Unidos garantiu que a navegação se manteve ativa, indicando que dezenas de navios mercantes atravessaram o estreito durante o dia, transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo para os mercados internacionais.
Numa publicação nas redes sociais, Donald Trump afirmou que não será cobrada qualquer taxa de passagem no Estreito de Ormuz durante o período de tréguas. Contudo, deixou em aberto a possibilidade de os Estados Unidos virem a impor uma tarifa caso as negociações fracassem.
Enquanto decorrem os contactos diplomáticos, o cenário no Líbano permanece marcado pela instabilidade. As autoridades libanesas reportaram várias vítimas mortais em ataques israelitas registados já após a entrada em vigor da trégua.
Israel sustenta que as operações militares são uma resposta a disparos efetuados pelo Hezbollah contra posições israelitas no sul do país. O movimento xiita, apoiado pelo Irão, afirma que continuará a resistir à presença militar israelita em território libanês.
A continuidade dos combates no terreno surge como o principal obstáculo ao sucesso das negociações entre Washington e Teerão, aumentando a incerteza sobre a possibilidade de alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente.