Mais bola, menos fantasmas

Mais bola, menos fantasmas

  • 20/06/2026 16:27
  • Redação

Quando, em junho de 2025 relatei a segunda conquista de Portugal na Liga das Nações, disse que a força desta Seleção não está só na qualidade, mas no aliar dessa qualidade ao acreditar, ao saber sofrer, ao "fazer das tripas coração" em bom português, sem perder a lucidez.

Está na hora deste grupo de jogadores me dar razão, se quer mesmo fazer o que ainda não foi feito, inspirado no legado de Diogo Jota.

Portugal não teve uma estreia feliz no Mundial, muito mais por culpa própria, do que por mérito do adversário.

Segue-se o Uzbequistão e não queremos correr o risco de ver Portugal no anedotário do Mundial 2026. A vida é isto; é preciso saber vivê-la aceitando a crítica, ao invés de encontrar culpados fora do balneário e dividir o país entre os que querem e os que não querem, como transpareceu das últimas conferências de imprensa.

O primeiro passo para que possa "dar Portugal" é perceber que criticar não significa necessariamente estar contra, muito menos contra a Seleção Nacional. O exercício do direito de opinião pode levar a concluir que há quem não morra de amores por Cristiano Ronaldo, que há quem deteste Roberto Martinez, quem ache que esta seleção não está a jogar nada e não é de agora. Concluir que há quem não queira, quem visa apenas criar casos e estar contra a seleção é um risco e um desperdício de forças. Um risco, porque pode acentuar a crítica sem fundamento; um desperdício de forças, porque aos jogadores compete estar focado no adversário e não em supostos inimigos fora de campo. Não é bom sinal e custa crer que o profissionalismo e a inquestionável qualidade deste cruzamento de gerações, necessite de se revigorar erguendo bandeiras contra fantasmas.

Haverá maior inimigo de um grupo de homens, do que as suas próprias incertezas? Sejamos honestos: se há dúvidas dentro da seleção nacional, é dentro da seleção que elas devem ser resolvidas, sem bodes expiatórios ou justificações inconsistentes.

É de maturidade que estamos a falar. Esta seleção é mais do que madura para saber que o adversário de Portugal está dentro das quatro linhas, à distância da magia do para um, da criatividade na chegada às zonas de finalização, da esperteza para contornar obstáculos, da competência para mexer com o jogo fazendo uso das melhores alternativas no banco.

Tenho uma notícia para dar à Seleção: vem aí o Uzbequistão e não há margem para desculpas. Só pode dar Portugal, portanto, não se ponham a jeito.

  • Fonte: Rádio Renascença
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