“Incrível, a velocidade e as manobras que eles fazem". Milhares rendidos à F1 dos aviões no Douro
- 20/06/2026 16:07
- Redação
Milhares de pessoas passaram a tarde deste sábado de olhos postos no céu, nas duas margens do Douro, para assistir ao espetáculo do Air Invictus. Muito antes do arranque das exibições, já as ribeiras do Porto e de Gaia estavam compostas. Houve quem chegasse muito antes das 15h00, mas muitos optaram por instalar-se logo de manhã para garantir lugar num dos pontos mais privilegiados para ver a chamada “Fórmula 1 dos aviões”.
Na margem de Gaia, Álvaro fez contas à logística familiar e tratou de chegar cedo. Veio de Baião com a família, instalou-se logo pela manhã, levou arcas com bebida e merenda e passou o dia à beira-rio, entre o calor, a espera e o ruído dos motores.
“Chegámos de manhã, vimos de Baião e agora estamos aqui a aproveitar o dia e, depois vamos regressar a casa”, conta, satisfeito com a escolha do programa, mas sem esconder o calor que sente, enquanto observa a neta sentada na arca refrigeradora onde trouxe os mantimentos para o dia.
Ao longo da tarde, os passeios junto ao rio transformaram-se em bancadas improvisadas, com famílias sentadas no chão, telemóveis erguidos e muitos curiosos a tentar seguir manobras a testar todos os limites no corredor do Douro, entre pontes e o casario tão característico, com muitas varandas apinhadas de gente.
Quando a última edição da Redbull Air Race passou pelo Porto, Mateus tinha apenas sete anos. "Não vim nessa altura, mas depois vi muitas vezes na televisão".
“Incrível, a velocidade e as manobras que eles fazem”, resume impressionado.
Também Miguel levou o filho Duarte, de 9 anos, para ver tudo pela primeira vez. Para o pai, era já a segunda experiência deste género; para o filho, um deslumbramento novo.
“É a segunda vez que vejo um espetáculo destes, mas para o meu filho é a primeira. Ele está a gostar muito”, diz Miguel.
Duarte é mais breve, mais tímido. Diz que a experiência, "é boa" e desvia o olhar para o rio.
Uns metros mais à frente, debruçado num dos varandins junto ao tabuleiro inferior da Ponte Luiz I, Rui acompanhava o espetáculo com entusiasmo. "Já tinha saudades disto", sorri.
Questionado sobre a logística do espaço, este espectador reconhece "algumas limitações", mas diz ser "normal que um evento destes tenha restrições. Quem quer assistir tem de contar com isso, deixar o carro mais longe e caminhar um pouco". O carro? "Ficou junto ao El Corte Inglès, na Avenida da República". Um quarto de hora a pé: "faz-se muito bem!"
Sobre o acesso às zonas de alimentação, não dramatiza: “Há filas, mas é compreensível.”
Nas ruas adjacentes à Ponte Luiz I, o impacto também se fez sentir no comércio. Tiago e Esperança, dois comerciantes da zona, cada um com a sua banca de sandes e bebidas, fizeram leituras diferentes do negócio numa tarde em que o passeio serviu de miradouro privilegiado para ver os aviões.
Esperança faz uma comparação pouco entusiasmada com os tempos da Red Bull Air Race.
“Está mais fraco. Não tem nada a ver com a Red Bull Air Race. Esse evento é que trazia mais gente e as pessoas agora já trazem comida e bebida de casa e procuram menos cá fora. A vida está complicada.”
Ainda assim, Esperança procura fazer jus ao nome e não perde o ânimo: “Tenho esperança de que corra melhor amanhã”
“Começámos a trabalhar ao meio-dia e o movimento mais forte sentiu-se a partir das duas e meia, três da tarde. Agora o negócio está a render.”
Embora admita que pensava encontrar ainda mais gente, considera que o dia está a correr de forma positiva: “Até achava que ia estar mais gente, mas está a correr bem. Há mais turistas do que portugueses, embora se note um equilíbrio maior do que noutras alturas.”
“Lá em baixo as pessoas concentram-se mais e fica mais cheio. Aqui, como o terreno é inclinado, vê-se melhor e é mais confortável.”
Do ponto de vista logístico, a circulação dos milhares de visitantes do Air Invictus fez-se fluída, mas houve um ponto comum nas conversas junto ao rio: os preços. Numa tarde de calor, uma garrafa de água de 33 centilitros chegou a custar dois euros — e três, se fosse fresca.
O calor apertou, mesmo com a brisa do Douro a suavizar os 27 graus que se fizeram sentir junto à beira-rio. Este domingo há mais. Aviões acrobatas e (ainda mais) calor.