Santana volta ao PSD e diz a Montenegro: "Não está nas minhas intenções candidatar-me"

Santana volta ao PSD e diz a Montenegro: "Não está nas minhas intenções candidatar-me"

  • 20/06/2026 20:15
  • Redação

Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz e antigo primeiro-ministro, chegou perto da meia-noite ao Congresso do PSD, onde foi anunciado o seu regresso ao partido como militante.

"Temos uma notícia muito agradável, que é a presença e o regresso de Pedro Santana Lopes ao nosso partido como militante", declarou Miguel Albuquerque, presidente da Mesa do Congresso do PSD, que decorre em Anadia, no distrito de Aveiro.

Pedro Santana Lopes -- que liderou o PSD entre 2004 e 2005 e se desfiliou em 2018 para fundar o partido Aliança, de onde entretanto saiu -- entrou no Velódromo Nacional de Sangalhos poucos minutos antes da meia-noite e sentou-se entre o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o secretário-geral do partido, Hugo Soares.

"Em nome do Congresso, queria dar ao Pedro Santana Lopes um abraço de boas-vindas, um bom regresso, e que continue a contribuir para o engrandecimento do nosso partido e do nosso país", acrescentou Miguel Albuquerque.

Pedro Santana Lopes assegurou que não voltou para se candidatar à liderança, e defendeu que Luís Montenegro ganharia a qualquer um que se candidatasse contra ele à liderança do partido. O antigo primeiro-ministro referiu que "houve militantes que saíram do partido e, depois de regressarem, foram presidentes do partido: Mota Pinto, Rui Machete". Mas depois aliviou.

"Luís Montenegro, não te preocupes, não está nas minhas intenções candidatar-me. Tenho a certeza absoluta que se candidatasse quem se candidatasse, tu ganhavas e largo", afirmou o antigo líder do PSD.

"Candidatasse-se quem se candidatasse", reforçou Pedro Santana Lopes, que ressalvou depois que falava "com todo o respeito por todos" e deixou um elogio a Pedro Passos Coelho: "Eu o que fiz em 2018 [sair do PSD] podia ter feito mais cedo, não tivesse ascendido à liderança alguém que tanto consideramos, respeitamos e admiramos como Pedro Passos Coelho e o trabalho notável que teve de fazer no tempo de emergência nacional".

Santana Lopes falou ainda do atual momento político para elogiar novamente Luís Montenegro e assinalar que o novo presidente da República é uma garantia de estabilidade.

"Felizmente elegeu-se um Presidente da República - e não votei nele, nem votei no outro - que disse expressamente que as legislaturas são para cumprir", afirmou o antigo líder do PSD, numa crítica implícita a Marcelo Rebelo de Sousa.

Pedro Santana Lopes foi militante do PSD de 1976 até 2018, quando saiu, após perder eleições internas para a liderança que disputou com Rui Rio, para fundar um novo partido, Aliança, do qual se desfiliou três anos depois.

Foi primeiro-ministro e presidente do PSD entre 2004 e 2005, na sequência da saída de José Manuel Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia. Após a dissolução do Parlamento pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, o PSD, sob a sua liderança, perdeu as legislativas de 2005 para o PS liderado por José Sócrates, que conseguiu maioria absoluta.

Antes, tinha sido presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz -- cargo que retomou em 2021, eleito como independente, e reeleito em 2025 numa lista de coligação PSD/CDS-PP -- e da Câmara Municipal de Lisboa.

Além do cargo de primeiro-ministro, exerceu funções governativas como secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros durante a governação de Cavaco Silva, e depois secretário de Estado da Cultura.

  • Fonte: Rádio Renascença
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