Linha de Cascais. Municípios querem ter palavra na gestão após anúncio de subconcessão
- 21/06/2026 13:08
- Redação
"É uma excelente notícia para Cascais, mas é também uma excelente notícia para todos os utilizadores que diariamente têm que utilizar esta linha", afirma o autarca, lembrando que esta era uma solução que os municípios da linha têm vindo a defender há vários meses.
Para Nuno Piteira Lopes, a descentralização da gestão poderá traduzir-se em decisões mais rápidas e num serviço mais ajustado à realidade dos passageiros.
"Acredito que uma gestão mais próxima dos territórios vai permitir responder melhor às necessidades dos passageiros, permitir decisões mais rápidas e prestar um serviço mais ajustado à realidade de quem utiliza diariamente esta linha", sustenta.
O autarca defende ainda que a futura gestão da linha deve estar articulada com a estratégia de mobilidade desenvolvida pelo município, recordando que os transportes rodoviários em Cascais já são gratuitos para residentes, estudantes e trabalhadores.
"Aspiramos que a linha do comboio possa também ser gratuita para todos aqueles que tenham de a utilizar. Só nesse dia teremos uma verdadeira mobilidade no concelho de Cascais", afirma.
Sobre o modelo de gestão, Nuno Piteira Lopes rejeita preconceitos ideológicos e sublinha que o essencial é a qualidade do serviço prestado.
"A gestão mede-se pelos resultados que entrega e não pelo facto de ser gerida pelo Estado, pelo município ou por privados", declara.
O presidente da Câmara admite mesmo que Cascais, Oeiras e Lisboa possam estudar formas de participação conjunta na futura subconcessão.
"Se existirem condições para os três municípios concorrerem em consórcio à gestão da linha, ou para uma parceria entre municípios e privados, devemos analisar essa possibilidade", afirma, defendendo que o objetivo deve ser garantir mais passageiros, maior pontualidade, melhores estações e um serviço mais fiável.
Apesar de reconhecer os investimentos que estão em curso na infraestrutura ferroviária, o autarca considera que a qualidade atual do serviço continua longe do desejável.
"Basta andar nos comboios de Cascais para perceber que a qualidade de serviço entregue todos os dias não é aquela que um município como Cascais quer oferecer aos seus munícipes", critica.
"Estamos a falar da operação da linha e da gestão comercial. O investimento na infraestrutura já está a ser feito pelo Ministério das Infraestruturas", refere.
O autarca revela ainda existir entendimento político entre os três municípios servidos pela linha para acompanharem o processo.
"Existe um alinhamento entre Cascais, Oeiras e Lisboa para estudarmos todas as possibilidades para que estes municípios tenham uma palavra a dizer na gestão e no dia-a-dia da linha", afirma.
O primeiro-ministro anunciou este domingo que o Governo vai avançar com um modelo destinado a melhorar a oferta ferroviária da CP através da entrada de operadores privados em regime de subconcessão, começando precisamente pela Linha de Cascais.