Escolas Católicas pedem retirada de conteúdos sobre identidade de género do Plano Nacional de Saúde Escolar

Escolas Católicas pedem retirada de conteúdos sobre identidade de género do Plano Nacional de Saúde Escolar

  • 21/06/2026 14:28
  • Redação

A Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) apresentou a sua posição sobre o Plano Nacional de Saúde Escolar 2030 (PNSE 2030), atualmente em consulta pública, manifestando preocupação com vários aspetos do documento, sobretudo nas áreas da identidade sexual, educação sexual e papel das famílias na educação dos filhos.

Apesar das críticas, a associação reconhece vários aspetos positivos da proposta da Direção-Geral da Saúde. Entre eles, destaca a preocupação com a saúde física, mental, emocional e social, a valorização das competências socioemocionais, o reforço da articulação entre saúde, educação, famílias e comunidade, bem como a atenção dada à saúde mental e ao bem-estar emocional.

No entanto, a APEC considera que o plano deve reforçar o papel das famílias na formação das crianças e jovens. No documento enviado para consulta pública, a associação sublinha que “é às famílias que cabe o lugar primeiro na educação dos seus filhos”, defendendo uma referência mais explícita ao princípio da corresponsabilidade educativa entre escola e família, especialmente em matérias ligadas à afetividade, sexualidade e formação pessoal.

A organização sustenta ainda que a educação sexual não deve limitar-se a uma perspetiva sanitária ou preventiva. “A educação sexual não pode ser reduzida a uma dimensão técnico-preventiva ou exclusivamente sanitária”, refere, acrescentando que esta deve integrar “a educação da pessoa no seu todo — corpo, afetividade, relações, responsabilidade, liberdade e sentido da vida”.

Um dos pontos de maior discordância prende-se com a abordagem à identidade de género. A APEC afirma ser fundamental promover o respeito por todas as pessoas e combater a discriminação, mas considera que o PNSE 2030 “não pode impor ou deixar entreaberta a possibilidade de vir a ser dada como consensual uma conceção antropológica sobre identidade de género, desprovida de carácter científico e apenas assente em pressupostos ideológicos”.

Nesse sentido, a associação propõe que o documento mantenha o foco na promoção da dignidade humana e elimine formulações que possam ser interpretadas como a imposição de uma determinada visão ideológica sobre a identidade de género. Defende igualmente que qualquer abordagem a estas matérias tenha em conta “a idade e a maturidade das crianças/alunos, bem como a diversidade de projetos educativos e convicções das famílias”.

Relativamente à educação sexual, a APEC pede que esta seja enquadrada “numa educação para o amor, a responsabilidade, o respeito mútuo, a dignidade da pessoa e a construção de relações estáveis e saudáveis”, valorizando a dimensão afetiva e relacional da sexualidade.

No documento, a associação defende também que a promoção da saúde deve assentar no reconhecimento da dignidade humana e do valor da vida. Considera, por isso, que o PNSE 2030 deve afirmar “de forma explícita o valor da vida humana como fundamento da preocupação pela programação de uma política de saúde” e assumir esse princípio como orientação transversal das várias áreas de intervenção.

Na conclusão da tomada de posição, a APEC pede uma revisão das aprendizagens previstas no plano, sobretudo nos domínios da identidade, género e diversidade, alegando que estas entram em contradição com alterações recentes introduzidas na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. A associação considera que esses conteúdos “devem ser expurgados do PNSE”.

Apesar das reservas apresentadas, a organização reafirma a sua disponibilidade para colaborar com as autoridades na implementação de políticas de promoção da saúde. A APEC garante estar disponível para “continuar a colaborar ativamente na construção de comunidades educativas mais saudáveis, seguras, inclusivas e promotoras do desenvolvimento integral de cada criança e jovem”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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