El Niño pode agravar fome global e fenómenos extremos, alertam ONU e cientistas
- 21/06/2026 17:00
- Redação
O regresso do fenómeno climático El Niño está a alarmar cientistas e organizações internacionais, que receiam uma combinação de calor extremo, quebras na produção agrícola e agravamento da fome em algumas das regiões mais vulneráveis do mundo. A preocupação levou duas agências das Nações Unidas a lançarem um apelo urgente à comunidade internacional para financiar medidas preventivas antes que surjam novas crises humanitárias.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já confirmou a formação das condições de El Niño e estima uma forte probabilidade de o fenómeno atingir elevada intensidade nos próximos meses. Embora alguns cientistas o tenham apelidado informalmente de “Godzilla El Niño”, a Organização Meteorológica Mundial prefere manter cautela quanto à sua dimensão exata, sublinhando, ainda assim, a necessidade de preparação.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alertam que milhões de pessoas poderão enfrentar uma agravada insegurança alimentar devido ao impacto do fenómeno nas colheitas. As duas agências defendem investimentos imediatos em sementes resistentes à seca, sistemas de armazenamento de água, proteção contra cheias e apoios financeiros às populações mais vulneráveis.
Segundo o The Guardian, os receios são amplificados pelo atual contexto económico global. Muitos dos países mais expostos aos efeitos do El Niño enfrentam elevados níveis de dívida pública, dificuldades financeiras e forte dependência das importações de alimentos, fatores que poderão aumentar o risco de fome e instabilidade social em várias regiões de África e da Ásia.
Os especialistas citados pelo jornal britânico sublinham ainda que os impactos não ficarão confinados aos países mais pobres. O aumento das temperaturas, a pressão sobre os preços da energia e dos alimentos e a maior propagação de algumas doenças poderão afetar também as economias desenvolvidas.
Para a Organização Meteorológica Mundial, o regresso do El Niño deve servir de alerta para reforçar os sistemas de prevenção e resposta a fenómenos extremos, numa altura em que as alterações climáticas continuam a elevar as temperaturas globais para níveis próximos de máximos históricos