França em alerta máximo: onda de calor sem precedentes leva ao fecho de escolas e cancelamento de eventos
- 21/06/2026 17:34
- Redação
A França enfrenta uma das mais severas ondas de calor dos últimos anos, levando as autoridades a colocar dezenas de departamentos sob alerta vermelho e a adotar medidas excecionais para proteger a população. As previsões apontam para temperaturas superiores a 40 graus Celsius em várias regiões e para máximas que poderão atingir os 42 graus a partir de segunda-feira.
O ministro da Ecologia, Mathieu Lefèvre, advertiu que a situação se poderá agravar no início da semana. "Não vemos as temperaturas descerem antes do final da semana", afirmou, apelando à população para adotar "grande prudência e muitas precauções".
Mais de um terço dos departamentos franceses encontra-se sob alerta vermelho, o nível mais elevado de risco, enquanto dezenas de outros permanecem sob alerta laranja. No total, cerca de 53 milhões de pessoas estão abrangidas por avisos relacionados com o calor extremo.
As consequências já se fazem sentir no quotidiano. O Ministério da Educação anunciou que mais de 800 escolas não reabrirão na segunda-feira, enquanto cerca de 1.800 estabelecimentos reorganizaram horários letivos e exames para minimizar a exposição dos alunos às temperaturas extremas.
Também os transportes ferroviários enfrentam dificuldades. O presidente da operadora estatal SNCF, Jean Castex, recomendou aos passageiros mais vulneráveis que adiem as deslocações, alertando que os sistemas de climatização e outras infraestruturas estão a ser "fortemente postos à prova" pelas condições meteorológicas.
A tradicional Fête de la Musique, celebrada em todo o país para assinalar o solstício de verão, foi igualmente afetada. Embora a maioria das cidades tenha optado por manter os concertos, várias autarquias cancelaram atuações durante as horas de maior calor ou transferiram os eventos para espaços interiores.
A ministra da Cultura, Catherine Pégard, pediu "extrema vigilância" às autoridades locais, defendendo que cada município avaliasse os riscos antes de decidir sobre a realização das festividades.
Em várias localidades sob alerta vermelho, foram impostas restrições ao consumo de álcool em espaços públicos. Em Paris, por exemplo, foram proibidas bebidas alcoólicas mais fortes nas margens do Sena e do Canal Saint-Martin, numa tentativa de reduzir acidentes associados ao calor e ao consumo excessivo.
A capital francesa reforçou ainda os meios de emergência, mobilizando quase 5.000 polícias e 2.500 profissionais de saúde e socorro. Foram instaladas mais de 1.300 fontes públicas de água e centenas de estabelecimentos aderiram a programas de distribuição gratuita de água potável.
Perante a dimensão da crise, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou reuniões governamentais de emergência para preparar medidas de adaptação a futuras ondas de calor. O chefe do executivo pediu aos ministros que apresentem propostas urgentes para responder a fenómenos climáticos extremos que se tornam cada vez mais frequentes.
A vaga de calor estende-se também a outros países europeus. Em Espanha, a agência meteorológica Aemet emitiu alertas vermelhos em várias regiões, prevendo temperaturas entre 40 e 44 graus. Em Itália, os avisos de calor foram alargados a diversas cidades do norte e centro do país. Já no Reino Unido, o Met Office admite que esta semana poderá ser registada a temperatura mais elevada de sempre para o mês de junho.