Héctor Herrera e o sonho de acabar a carreira no FC Porto. "Falei com Villas-Boas, ele disse que podíamos falar"

Héctor Herrera e o sonho de acabar a carreira no FC Porto. "Falei com Villas-Boas, ele disse que podíamos falar"

  • 22/06/2026 03:55
  • Redação

Seis anos não são seis dias. 245 jogos, 35 golos marcados, 28 assistências. Jogou de dragão ao peito entre 2013 (com apenas 23 anos) e 2019, o suficiente para se tornar capitão e entrar no top-40 de jogadores com mais jogos da história do FC Porto. Seguiu para Madrid, depois Houston, voltou a casa pelo Toluca e regressou novamente a Houston, a nova casa da seleção.

Numa entrevista feita à distância, o antigo capitão dos dragões confessou a Bola Branca que quer terminar a carreira na Invicta – e até já desafiou Villas-Boas nesse sentido –, aprova o "miúdo" Diogo Costa como capitão e deixa um aviso ao "favorito Portugal": cuidado com o estádio abafado.

Muito bem. Depois do que passámos no ano passado, a equipa tem muitos jogadores novos, que ainda se estão a conhecer. Jogadores de qualidade, desportiva e humanamente. Acho que está a correr muito bem, estamos numa posição boa e estamos a melhorar muito. Espero que o fim da época seja muito bom e que possamos conseguir o objetivo principal, que é o play-off, e fazer um bom campeonato para tentar chegar à final da MLS Cup, que é o objetivo principal do clube.

Eu, pessoalmente, estou muito feliz por voltar a estar aqui em Houston. Tenho muitos amigos aqui, os meus filhos moram aqui. Estou feliz por voltar a estar aqui. O staff é quase todo o mesmo, então é muito mais fácil a adaptação neste regresso.

Principalmente os meus filhos, que moram aqui. O meu filho está a jogar aqui, nos sub-15. E acho que tenho uma conexão muito grande com este clube. Até porque há muitos mexicanos aqui, tenho muitos amigos que jogam aqui. E gosto muito da cidade.

Depois, porque acho que ficou trabalho por terminar. Nós ganhámos a Open Cup em 2023 e acho que ficou uma sensação de que podia dar mais ao clube. Isso também influenciou a decisão de voltar a Houston.

Falando da cidade: vão chegar muitos portugueses brevemente. O que lhes pode dizer sobre a cidade em si?

É uma cidade muito tranquila, vive-se muito bem. Tem muitas comidas diferentes: a daqui é muito boa, tens um barbecue top. Tens comida portuguesa, comida mexicana, colombiana, japonesa. É uma cidade variada. Qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, pode chegar e sentir-se bem, como se estivesse em casa. Depois, é uma cidade que tem todos os maiores desportos dos Estados Unidos: basquetebol, futebol, futebol americano, basebol. É um bom lugar para viver, para visitar. Acho que os portugueses vão sentir que estão em casa.

E como é jogar em Houston? É que a seleção portuguesa vai jogar num estádio fechado e com ar condicionado. O Héctor não tem a mesma sorte…

Não, nós jogamos num estádio aberto. É complicado. São temperaturas muito altas e muito abafadas, é difícil. Mas, com o tempo, uma pessoa habitua-se. Neste caso, Portugal só vai jogar dois jogos aqui, é difícil adaptar-se. Mas ainda bem que eles vão jogar no NRG Stadium, que é fechado e tem ar condicionado, isso vai ajudar muito. Ainda assim, acho que se sente um pouco abafado no estádio. Eu joguei lá pela seleção mexicana e sentia isso. Mas acho que é um bom sítio para se jogar, porque é uma cidade que gosta muito de futebol.

De certeza que vai encher o estádio novamente e torcer muito por Portugal. A cidade gosta muito da seleção portuguesa. Não só do Cristiano [Ronaldo], que é o maior jogador que têm, mas também dos jogadores mais novos que estão a aparecer.

Eu gostava de assistir a um jogo da seleção portuguesa, até para poder cumprimentar alguns colegas que tenho aí também, mas não. Ainda há jogadores com quem eu joguei. Outros conheci mais jovens e agora são estrelas. Mas gostava de assistir, até porque eu sou português.

Sim, sim, tenho. Por isso, tenho de ver os jogos e apoiar a minha segunda nacionalidade [risos].

Estava a falar dos colegas e amigos que tem na seleção portuguesa. Há aqui um que certamente se destaca, até porque agora é o seu sucessor como capitão do FC Porto: o Diogo Costa. Fica surpreendido com a carreira dele e a braçadeira de capitão?

Não fico surpreendido. Ele desde miúdo que mostrava muita qualidade e tinha um grande futuro. É só o tempo e o trabalho a colocá-lo onde ele queria estar. Quando eu estava no Porto, ele era muito miúdo, mas já mostrava personalidade e uma grande qualidade como guarda-redes. Fico muito feliz por ele, pelo sucesso que tem tido no Porto e na seleção. E estou sempre a torcer por ele e feliz por ver o sucesso que está a ter na carreira.

Acho que sim. Ele é um jogador com personalidade, um guarda-redes que impõe respeito, um tipo sério. Acho que foi uma boa escolha. No Porto há muitos jogadores novos e, por isso, acho que a chegada do Thiago Silva, por exemplo, ajudou muito. A aconselhá-los, a crescerem, a perceberem como se pode comportar como capitão. O Thiago Silva teve uma carreira incrível, e acredito que isso ajudou muito o Diogo também.

Sim. Tenho muitos amigos no Porto, fora e dentro do futebol. Foram muitos anos, talvez os melhores anos da minha carreira. Foi onde mais desfrutei do futebol e onde mais cresci como jogador e como pessoa. Nas férias, se tenho tempo, tento sempre visitar o Porto, ainda tenho uma casa lá. É um vínculo muito grande, que acho que nunca vai terminar.

Sim, acompanho sempre. Tento ver os resumos, porque os jogos do Porto são a outros horários aqui, às vezes fica mais difícil. Mas sempre que posso vejo e estou atento, até porque falo muito com pessoas do clube. No Mundial de Clubes, estive a acompanhar o clube em Nova Iorque, foi bom, uma experiência muito bonita.

Fico muito agradecido ao André [Villas-Boas] pela oportunidade de ter assistido aos jogos. E fico muito feliz por o Porto voltar a conquistar o título, acho que mereciam. Jogaram muito bem na maior parte do campeonato. A gente do Porto está muito feliz com o que conseguiu.

Tem havido momentos difíceis para os adeptos do FC Porto nos últimos anos, com alguns desaparecimentos. Um deles talvez lhe diga mais, a morte de Pinto da Costa. O que significava para si o ex-presidente dos dragões?

Para mim, o maior. Quando cheguei, foi sempre muito querido comigo. Tratou-me muito bem. Acho que na história do FC Porto é o maior ídolo, não só dos jogadores, mas como presidente. Era o maior símbolo do Porto, foi uma notícia muito triste para todos nós, foi muito difícil de acreditar. Sabíamos que ele já tinha uma idade avançada, mas é difícil aceitar. Só tenho palavras de agradecimento por me ter dado a oportunidade de pertencer ao clube.

Para mim, o Porto é, talvez, o clube pelo qual tenho mais carinho no futebol. Acho que dei tudo pelo clube e pela cidade, que sempre foram muito bons comigo. Mostraram-me sempre muito carinho, nos bons e nos maus momentos.

Eu ainda hoje vejo esse vídeo e arrepio-me. Acho que foi o melhor momento que passei no FC Porto. Foi um momento inesquecível que acho que vou lembrar toda a minha vida. Num final de campeonato, um clássico, últimos minutos… acho que foi uma recompensa por todo o trabalho que eu tinha feito antes.

Às vezes as coisas corriam bem, outras não tão bem. Acho que esse foi o momento mais bonito que passei. Depois, conseguimos o campeonato e isso foi a cereja no topo do bolo. Mas continuo a ver e fico emocionado.

Quando quero mostrar um vídeo de um golo, mostro sempre esse [risos]. Ao meu filho e à minha filha, que eram mais novos, mostrava esse. É um bom exemplo.

Há uns anos disse, numa entrevista, que gostava de acabar a carreira no FC Porto. Ainda mantém isso?

Sempre. Seria um sonho poder terminar a minha carreira no Porto. Foi um clube onde passei muitos anos e passei muito bem. Gosto muito da cidade, do clube, das pessoas. Seria um sonho poder voltar e terminar a minha carreira aí. Quando estive com a equipa em Nova Iorque, no ano passado, falei com o André [Villas-Boas] sobre isso.

Que podíamos falar [risos]. Acho que seria um tema, terminar. Estou num momento em que ainda tenho contrato. Mas seria um tema, poder fechar a carreira no clube de que gosto.

Já começo a pensar, sim. E mesmo que não queira pensar, tenho de pensar, está a chegar o fim. Mas agora sinto-me muito bem fisicamente. Estou magrinho, isso é importante.

Estou muito bem fisicamente, trabalho muito todos os dias para estar melhor e poder competir. Só que o futebol, agora, é intensidade. São todos muito rápidos. Se fisicamente não estás bem, não podes competir e sentes-te mal. Eu sinto-me muito bem. Acho que cresci muito aqui [aponta para a cabeça] e isso também me ajuda muito.

Antes do início do Mundial, eu já achava que o México ia fazer uma boa fase de grupos. Já achava que tinha, entre aspas, um grupo acessível, em que podia terminar em primeiro lugar e ganhar confiança. É bom começar um campeonato com triunfos e melhor ainda ganhar dois jogos seguidos. Isso também dá confiança.

É um grupo unido e eu tenho muita fé, muita esperança e muita ilusão com eles. Que possam fazer um grande Mundial e fazer-nos sonhar. Porque acho que o sonho de todos os mexicanos é ver o México campeão do mundo. Mas temos de pensar passo a passo, jogo a jogo, e ver o que o futuro nos reserva.

Entre os meus amigos e colegas falamos muito sobre quais são as seleções favoritas para o Mundial. E para mim Portugal é uma seleção favorita. Pelos jogadores que tem e pelo nome do país, mas principalmente pelos jogadores que tem. Acho que tem jogadores de topo, que jogam muito. Acho que podem fazer um grande Mundial.

Empate, não? [risos]. Dividia-se a taça ou dava-se uma para Portugal e outra para o México. Agora a sério: acho que seria muito bonito ter uma final entre México e Portugal. Mas eu amo o México, é o meu país. Mas estou muito agradecido a Portugal, gosto muito das pessoas, de tudo o que envolve o país. Os clubes e a seleção, principalmente. Seria uma decisão muito difícil.

Por falar em México, Portugal e Mundial: o Héctor foi colega de um jogador português que está sempre no meio de um debate quando chega a altura das convocatórias. É a eterna questão, se é convocado ou não e…

Nós somos muito amigos. Ele é uma pessoa incrível, e como jogador é top. Tem mostrado uma qualidade muito grande no México, fui bicampeão mexicano com ele. Acho que podia ter tido uma oportunidade, mas talvez mais cedo. Mas também é verdade que compete com jogadores que jogam ao mais alto nível, ele próprio falava disso.

Ele não fala muito disso, nem está ansioso. É muito tranquilo nessa parte. A atitude dele é: "Se considerarem que estou pronto para jogar na seleção, vou. Vou fazer o meu trabalho."

É incrível como pessoa. A humildade que tem, o profissionalismo que tem… eu conhecia-o apenas de jogar contra ele, nos jogos entre o Porto e o Braga, entre o Porto e o Gil Vicente. Mas agora que conheci a pessoa, é incrível. Dez pontos. E tem mostrado muita qualidade no México. Ele foi convocado para um jogo amigável lá, pela seleção, em março, e quando entrou, o estádio todo bateu palmas. Ganhou muito o carinho dos mexicanos. Pessoalmente, gostava de vê-lo no Mundial, mas também sabemos a dificuldade e a concorrência que existe naquela posição.

  • Fonte: Rádio Renascença
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