Starmer: da maioria absoluta à demissão em menos de 2 anos
- 22/06/2026 07:11
- Redação
Há apenas três dias, Keir Starmer continuava confiante e garantia que não se ia afastar do cargo. Três dias depois — e menos de dois anos depois de conquistar uma maioria histórica para os Trabalhistas —, Starmer apresentou a demissão. Tornou-se no sexto primeiro-ministro a fazê-lo em 10 anos.
Ainda assim, Starmer destacou o papel que teve ao inverter 14 anos de governação conservadora, defendendo que reverteu a política de austeridade e que recuperou a confiança na economia.
No entanto, a questão agora não era se Starmer era a pessoa certa para governar, mas sim se é "a pessoa certa para guiar o partido nas próximas eleições”. Com o partido em dificuldades nas sondagens e a dois anos das eleições, os trabalhistas responderam que não.
Starmer prometia tornar os Trabalhistas num partido de “poder, não de protesto”. Foi em parte essa seriedade que trazia pelo seu passado enquanto procurador-geral que o levou a primeiro-ministro, sem nunca ter sido particularmente popular no seu partido.
A forma como endureceu as políticas de imigração, de forma contrária ao histórico do seu partido, mostrava esse compromisso. A estratégia resultou, os números de imigração baixaram durante o seu mandato.
A palavra final, no entanto, pertencia a Starmer. Só ele podia decidir o seu futuro. Isto porque outros pretendentes a Downing Street não reuniam ainda o apoio de 81 deputados necessário para desafiar a liderança do partido.
Andy Burnham, até agora mayor de Manchester, demitiu-se para se tornar deputado e poder desafiar Starmer.
A sua vitória contundente em Makerfield, onde o Reform de Nigel Farage tinha uma presença tão forte solidificou a ideia de que Burham, conhecido como “King of the North” numa referência à série televisiva Game of Thrones (Guerra dos Tronos), é a pessoa certa para mudar a narrativa de que Farage está num caminho imparável até Downing Street.
O apoio parecia garantido e no domingo, 21 de Junho, a música mudou. Um dos grandes apoiantes de Starmer e ministro da Economia, Peter Kyle, deu uma ronda de entrevistas em que admitiu que o primeiro-ministro estava consciente das “realidades políticas” e garantiu que Starmer teria sempre os interesses nacionais em primeiro lugar. O “quando” era agora.
Até agora, Starmer garantia que iria defender a sua posição, mas essa hipótese está agora afastada.
A 9 de Julho começa oficialmente o processo de eleições para líder do partido trabalhista. A corrida, no entanto, pode ser solitária: o antigo ministro da Saúde Wes Streeting era um dos principais candidatos e já demonstrou o seu apoio a Andy Burnham. Dificilmente mais alguém se tentará intrometer no caminho para Downing Street.