Demissão de Starmer mostra “desgaste extraordinário” das lideranças políticas, diz Seixas da Costa
- 22/06/2026 08:35
- Redação
Seixas da Costa afasta qualquer ligação da saída às sondagens, que dão a liderança ao Reform UK, o partido da extrema direita, uma vez que "não há eleições à vista". Para o embaixador, a saída de Starmer deve ser lida, sobretudo, como uma tentativa de os deputados trabalhistas salvarem o futuro eleitoral do partido.
“O grande problema nas lideranças britânicas é que os deputados começam a perceber que, com aquele líder, vão chegar às eleições e vão perdê-las”, diz.
A mudança de rosto deve ser entendida, para o embaixador, como uma "jogada tática" com o objetivo de "refrescar" a imagem do partido.
O nome mais provável para suceder a Starmer é Andy Burnham, mayor de Manchester, que já oficializou a candidatura à liderança do Partido Trabalhista. Seixas da Costa descreve-o como uma figura com boa imagem pública, mais à esquerda do que Starmer, mas avisa que ainda falta perceber que resposta dará aos principais problemas do Reino Unido.
Burnham "tem a vantagem de ser alguém que vem de novo, uma cara fresca”, mas para o Embaixador, terá ainda que clarificar Burnham terá de clarificar posições em temas como imigração, relação com os Estados Unidos, apoio à Ucrânia, Gaza e aproximação à União Europeia.
Sobre o Brexit, Seixas da Costa admite que existe uma aproximação gradual entre Londres e Bruxelas, mas considera prematuro falar num eventual regresso do Reino Unido à União Europeia.
“Não sei até que ponto há uma maturação do trauma do Brexit, é capaz de ser demasiado arriscado. É preciso deixar maturar um pouco mais a situação”, conclui.