Portugal-Uzbequistão: o que tem de mudar após a má estreia e os onzes prováveis
- 22/06/2026 13:10
- Redação
Talvez Martínez procure lavar um pouco a face logo de início face ao conjunto asiático. À direita, deverá privilegiar o perfil mais agitador (entre Francisco Conceição, que entrou com o espírito certo no primeiro encontro, e um Pedro Neto que até serviu assistência para o golo face à RD Congo, embora a partir da esquerda).
João Félix parte na pole position para a titularidade a partir da meia-esquerda ofensiva, até pela esperada postura mais defensiva do Uzbequistão. Perfis como o do segundo avançado do Al Nassr, Trincão ou Gonçalo Ramos parecem bastante adequados para defrontar este tipo de adversários de mente e atitude mais cautelosa.
As laterais podem conhecer alterações, até porque a condição física de Nuno Mendes inspira cuidados. Se assim for e o canhoto do PSG falhar este jogo, Nélson Semedo ou Diogo Dalot assumem a direita e João Cancelo passa para lateral-esquerdo, posição na qual de resto jogou toda a temporada no Barcelona.
Ao meio, espera-se manutenção da fórmula da primeira partida. Vitinha na base, João Neves como elemento móvel e com capacidade para invadir espaços em zonas mais subidas, Bruno Fernandes a articular entre setores e a buscar ser determinante no cruzamento e remate e Cristiano Ronaldo a ansiar pela chegada ao golo, acima de todas as coisas, mas a buscar algumas ligações noutras zonas (habitualmente inócuas).
Sobre o papel do capitão, há que realçar que não sendo o único problema desta equipa, longe disso, também não tem sido a solução que já foi outrora para desbravar caminhos para superar a mediocridade exibicional.
Portugal vai ser obrigado a transformar o seu padrão de jogo face à RD Congo neste desafio. É certo que os uzbeques, montados defensivamente num 5-4-1, não possuem, a nível geral, a fisicalidade, capacidade nos duelos e ameaça em condução e no espaço dos africanos, mas são um adversário que busca limitar a largura dos adversários, com espaço preenchido dos dois lados pelos laterais/alas e avançados externos.
O adversário de Portugal tem alguns argumentos para ativar os apoios do avançado Shomurodov, peça fundamental das saídas para a frente e que busca permanentemente ligar com Fayzullaev ou Urunov, homens que despontam mais abertos no ataque.
Perspectivando-se que tenha de enfrentar adversário mais baixo no terreno neste duelo, a seleção das quinas irá necessitar de jogadores para atacar espaços entre laterais/alas e centrais externos (ameaça que apenas Nuno Mendes teve no primeiro jogo e muito a espaços), convite que pode ser feito a laterais como Dalot ou Cancelo, mas também a um João Neves que também pede mais protagonismo a atacar a área.
Os movimentos de segundo avançado, na ligação da esquerda para o meio e entrada em zona de definição de João Félix podem ser essenciais para que a equipa lusa ganhe mais ameaça ofensiva na comparação com o primeiro desafio – apenas sete remates efectuados em 90 minutos.
Félix poderá ser determinante, independentemente do extremo que parta da direita, também beneficiando Cristiano Ronaldo, ultimamente menos acutilante a atacar a carreira de tiro, podendo atrair atenções para que se libertem espaços mais convenientes ao 7 português.
Fundamental também que haja movimentos diversificados dos médios, com Vitinha a ativar o passe e a pedir contramovimentos de um dos interiores, com o outro a servir mais de suporte. Mesmo que não tenha fechado bem a época, a ideia de ter Gonçalo Inácio no onze para este jogo também podia ser explorada, até porque o seu pé canhoto pode gerar vantagens para abrir brechas no bloco defensivo contrário, por via de passes para as entrelinhas ou de variações do centro de jogo para o extremo do lado direito.
E que pontos há para limitar no Uzbequistão? Tentar ter outro rigor e alternância nas referências na bola parada defensiva, ter atenção à maior variabilidade no passe do médio Shukurov, buscar menos choque direto com Khusanov (central do Man. City e referência uzbeque, absolutamente imperial em duelos e sempre a jogar de faca nos dentes, também em velocidade) e tentar desarticular as ligações de Shomurodov a Fayzullaev.
Se Portugal cumprir com estes itens, aumenta as probabilidades de sair vencedor do segundo embate neste Mundial.