Papa: “A medicina nunca pode estar ao serviço da morte programada”

Papa: “A medicina nunca pode estar ao serviço da morte programada”

  • 22/06/2026 15:20
  • Redação

Leão XIV recebeu esta segunda-feira de manhã, no Palácio Apostólico, os membros da Fundação Jérôme Lejeune. Este investigador científico, percusor da genética moderna, descobriu a anomalia do cromossoma responsável pela trissomia 21.

“Homem de ciência e sabedoria, Lejeune rapidamente compreendeu que a sua descoberta científica seria utilizada para erradicar as pessoas com síndrome de Down ainda antes de nascerem, por isso, não hesitou em defender estas pessoas, denunciando a transgressão do Juramento de Hipócrates e esta nova eugenia, a que chamou ‘racismo cromossómico’”, sublinhou o Papa.

O professor Lejeune sabia que, embora a tecnologia possa auxiliar a medicina, não a pode substituir. Além disso, “sabia que a tecnologia pode ser utilizada contra a medicina — que, por natureza, está ao serviço da vida —, como é evidente quando a tecnologia escapa a todo o controlo ético essencial e prevalecem os cálculos de eficiência, rentabilidade ou utilidade. No entanto, o valor de uma pessoa não depende daquilo que ela realiza ou produz”, frisou Leão XIV.

“É por isso que um médico nunca deve presumir, com base em algoritmos laboratoriais, decidir sobre a vida de um embrião ou de uma pessoa idosa. A medicina nunca poderá tornar-se serva da morte programada!”

O Santo Padre recordou que as declarações proféticas de Lejeune o levaram a defender a vida de cada ser humano e a sua dignidade inviolável, que tem origem no ato da criação de Deus. Esta luta “levou-o a ser perseguido em certos círculos científicos”, recordou.

Leão XIV expressou o seu apreço pelo compromisso deste venerável, com processo de beatificação em curso, a favor da vida e da dignidade humana, especialmente no que diz respeito às autoridades públicas.

O Papa incentivou também as ações realizadas pela Fundação Jérôme Lejeune a favor da cultura da vida e através da Cátedra Internacional de Bioética, que oferece formação académica a vários atores desta área: profissionais de saúde, juristas e filósofos.

“Agradeço-vos a formação que proporcionam a homens e mulheres que, no futuro, poderão contribuir para garantir uma ética médica que sirva a dignidade humana e a vida”, disse, recordando que a mensagem e a obra do Venerável Jérôme Lejeune assentam na universalidade da razão e do coração. “Que ele inspire a coragem da verdade nos muitos jovens e profissionais que anseiam pela coerência; que ele os ajude a unir, sem rigidez, a razão e a fé, a palavra e a ação, a ausência de julgamento sobre as pessoas e a rejeição da falsidade”, propôs Leão XIV.

  • Fonte: Rádio Renascença
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