Fundo soberano preocupa: "Portugal não tem receita"
- 22/06/2026 16:45
- Redação
A medida foi lançada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no congresso do PSD do fim de semana, e o social-democrata Poiares Maduro confessa que lhe "é difícil conceber de onde é que podem vir os recursos do Estado".
O social-democrata enaltece que os países em que o fundo soberano é já uma realidade, como a Noruega e os Emirados, são estados com excedentes muito grandes – que resultam, por vezes, de matérias como o petróleo e questiona onde é que Portugal pode obter os recursos para este fundo.
Antes das questões sobre o financiamento, o antigo ministro das Finanças Fernando Medina diz ter questões sobre a estratégia do Governo. Questiona o porquê da mudança de posicionamento de um partido que chegou a planear diferentes privatizações. "Relembro que em tempos idos, o PSD defendia a privatização da Caixa Geral de Depósitos ou das Águas de Portugal e agora vira a agulha para um alinhamento político de aquisição de participações relevantes em empresas estratégicas?", questiona.
Fernando Medina realça que as únicas opções de recursos do Estado são: os recursos dos atuais portugueses contribuintes via criação de défice orçamental ou de aumento de impostos ou como alternativa recursos dos futuros contribuintes através da emissão de dívida pública. O socialista fala num anúncio feito de forma "atabalhoada" e de uma viragem de 180 graus na posição do partido que forma o Governo.
O antigo ministro das Finanças é claro ao afirmar que "Portugal não tem condições de ter um fundo soberano". Medina fala em "grande confusão" numa medida que "atirada ao calhas" para cima da mesa. "Os países que têm fundos soberanos são países com receitas muito grandes em que a forma de as protegerem são através de investimento. Não é o caso de Portugal", diz.
Miguel Poiares Maduro acredita que o objetivo predominante e que guia André Ventura é substituir o PSD como força política à direita do Partido Socialista, como alternativa do Governo de Portugal.
Já Fernando Medina entende que o Governo sai "péssimo" do caminho que fez com a lei laboral, considerando "um desastre" o chumbo ser o desfecho depois de na véspera da votação o líder parlamentar do PSD ter "anunciado com altivez" que a reforma seria aprovada.
O socialista critica a falta de capacidade do Governo de negociar, mas entende que André Ventura tinha querido viabilizar a reforma laboral sendo que não o fez pensando na sua base eleitoral que parte de setores de classes trabalhadoras.