Cáritas Lisboa: "Há um aumento dos pedidos de vários níveis"
- 23/06/2026 01:00
- Redação
Carmo Diniz admite que “metade das pessoas que nós atendemos são migrantes”, mas sublinha que já não é possível dizer se “é só habitação, ou se é só cidadania, ou se é um problema relacionado com os rendimentos, porque o que temos visto ultimamente é um pedido de apoio para um conjunto de situações, para um conjunto que é a família”.
Em 2025, a Cáritas de Lisboa reorganizou o seu trabalho estabelecendo uma estratégia que assenta em quatro áreas de atuação: migrações, inclusão social, conversão ecológica e solidão.
A comemoração dos 50 anos da Cáritas de Lisboa encerra esta terça-feira com uma missa solene, presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, na Basílica da Estrela. Dia em que também é lançado um carimbo especial dos CTT para assinalar a efeméride.
Como se está a preparar esta celebração dos 50 anos da Cáritas de Lisboa?É uma alegria enorme chegar aqui aos 50 anos e olhar para trás para o tanto que já se fez e olhar para a frente com muita esperança. É uma alegria muito grande, com uma onda de calor, o que ainda quase que puxa mais para a festa, não é?
E a celebração destes 50 anos encerra com a missa solene presidida pelo patriarca de Lisboa?Sem dúvida, sem dúvida. A Caritas Diocesana de Lisboa é uma estrutura do Patriarcado, faz parte da Igreja. Não há distinção entre Igreja e Cáritas, Cáritas e Igreja, Igreja é Caridade. E podemos fazer aqui uma série de relações, mas nós estruturamos estas celebrações dos 50 anos em função da organização da Igreja e do Patriarcado de Lisboa. E, portanto, juntámos o que são as nossas áreas de atuação às zonas da Diocese e tivemos, desde o início deste ano pastoral, uma conferência sobre migrações, em Cascais, na Nova Medical School.
Tivemos uma homenagem ao Vítor Fortes, que foi o nosso doador sobre a solidão, porque o Vítor Fortes era um grande artista português no termo oriental, em Odivelas. Tivemos, recentemente, uma participação, uma talk na Lourinhã sobre a conversão ecológica. Tivemos um encontro sobre lojas sociais e, portanto, inclusão social no centro de Lisboa.
E, agora, a grande festa, que é a festa do encontro da rede e do encontro com as paróquias, vai acontecer, no dia 23, na Basílica da Estrela, às 19h00.
E a própria Cáritas, perante os novos desafios, também se reorganizou a pensar no futuro e na forma como pode chegar aos mais vulneráveis, não é?Sim. A Cáritas tem um grande privilégio, que é a liberdade de poder escolher atuar, a Cáritas e a Igreja, atuar num momento certo, na área que entenda mais adequada.
E já passámos por muitas fases e por muitas necessidades da nossa sociedade. Neste momento, o que nos faz sentido, e em acordo com o Sr. Patriarca e com os Srs. Bispos, é trabalhar, é reforçar muito o trabalho nas paróquias, o trabalho de proximidade.
E foi esse o esforço do último ano e meio, que já não começou no último ano e meio, já é anterior, naturalmente, mas este reforço do trabalho com as paróquias, fortalecer a capacidade que as paróquias têm de apoio social, seja a distribuir comida, a distribuir roupa, a escutar, a acompanhar pessoas e ajudá-las nos tempos mais difíceis. Essa é a natureza da Cáritas, e julgo que neste tempo que vivemos, é na proximidade que nós conseguimos ajudar as pessoas a evitar o ciclo da pobreza, ou a sair dele, desejavelmente, que é o que nós todos queremos, e acabar com a pobreza.
Quem é que necessita mais, nesta altura, dessa proximidade? As famílias. Nós não fazemos distinção de perfil, mas qualquer pessoa, seja nacional ou migrante, seja empregado ou desempregado, seja mais velho e já reformado, ou muito jovem, nesta fase, temos muitas situações e muitos perfis em que basta um membro da família ter algum percalço, seja uma doença, uma falta de trabalho, ou alguma mudança na sua vida, para, de repente, poder entrar neste ciclo de pobreza que nós tanto queremos evitar.
Eu posso lhe dar estatísticas e dizer que metade das pessoas que nós atendemos são migrantes, temos muita população adulta e idosa. Temos, temos, mas são as famílias, e é um tempo mais desafiante, diria eu, que nós estamos a viver. Nós notamos internamente uma diferença e um aumento do número de pedidos de vários níveis, eu já nem consigo dizer se é só habitação, ou se é só cidadania, ou se é um tema de rendimentos, das tipologias, porque o que temos visto ultimamente é um pedido de apoio para um conjunto, um conjunto que é a família, um membro, se um membro da família está pior, a família toda sofre, e o olhar para a pessoa é um olhar para a pessoa no seu contexto, e o seu contexto familiar é o mais próximo, e tem que ser um olhar integral em todas as direções.
Não estamos a falar de um problema para resolver, é um conjunto de vulnerabilidades que implicam uma abordagem integral. Se quisermos aqui chamar as reflexões do Papa Francisco e agora do Papa Leão, é um olhar integral que nós temos que ter sobre a pessoa e sobre a família.