ONU. Israel atacou deliberadamente crianças de Gaza e 30% das vítimas do conflito são menores

ONU. Israel atacou deliberadamente crianças de Gaza e 30% das vítimas do conflito são menores

  • 23/06/2026 05:05
  • Redação

As autoridades e as forças de segurança israelitas atacaram deliberadamente crianças palestinianas, o que resultou em genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Gaza, bem como crimes de guerra na Cisjordânia ocupada.

“As provas demonstram que as crianças palestinianas foram deliberadamente visadas e mortas pelas forças de segurança israelitas”, afirmou Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão, num comunicado que acompanha o relatório.

Um relatório anterior da comissão, publicado em setembro, concluiu que Israel tinha cometido genocídio em Gaza e que altos responsáveis israelitas, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos — acusações que Israel considerou escandalosas.

A missão de Israel em Genebra afirmou que o país rejeitava o que designou como o “segundo relatório difamatório e tendencioso” da Comissão.

“Israel rejeita esta farsa difamatória”, afirmou num comunicado, acrescentando que “todas as crianças merecem proteção” e sustentando que o relatório ignorou “as táticas brutais do Hamas”.

A comissão da ONU afirmou que crianças palestinianas foram deliberadamente alvejadas e mortas durante a guerra, inclusive após a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro de 2025.

O documento refere que este era um elemento-chave para comprovar a intenção genocida por parte das autoridades e forças de segurança israelitas de destruir o os palestinianos, no seu todo ou em parte, em Gaza.

O relatório concluiu que a proporção de crianças mortas foi superior à registada em conflitos anteriores. Entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025, pelo menos 20 179 crianças foram mortas, cerca de 30% do número total de mortos.

Em comparação, nas hostilidades em Gaza em 2008–2009 e 2014, as crianças representaram aproximadamente 24% das mortes relacionadas com o conflito, segundo o relatório.

As forças israelitas continuaram a utilizar munições de alta potência e armas com efeitos de área alargada em zonas residenciais densamente povoadas, apesar do número crescente de vítimas infantis, afirmou a comissão.

“Isto indica que tais ataques, que mataram um número tão elevado de crianças, foram intencionais”, afirmou.

A comissão afirmou acreditar que as crianças foram alvo de ataques coletivos porque as forças de segurança israelitas consideram a população civil no seu conjunto a ser associada ao Hamas e a outros grupos armados.

Uma refutação divulgada pela missão de Israel em Genebra afirmou que Israel “se esforça constantemente por minimizar os danos causados às crianças, mesmo em situações de conflito” e que Israel rejeitou “nos termos mais veementes” a sugestão de que teria como alvo deliberadamente as crianças.

Muralidhar afirmou que, ao ter como alvo as crianças, Israel estava a minar a capacidade do povo palestiniano de existir e de determinar o seu futuro.

A investigação constatou ainda que os ataques a instalações de saúde e de cuidados reprodutivos afetaram a sobrevivência dos recém-nascidos e registaram aumentos nos abortos espontâneos, e que quase todas as crianças em Gaza necessitavam de apoio psicológico.

A resposta de Israel afirmou que o relatório não mencionou o papel de Israel na facilitação das vacinações e da entrada de pessoal médico, bem como na criação de hospitais de campanha.

Acusou o Hamas de desviar sistematicamente a ajuda humanitária e o combustível destinados aos hospitais. O Hamas refutou tais acusações.

Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, a Comissão constatou um aumento acentuado da violência por parte de colonos israelitas contra crianças palestinianas e documentou provas de tortura, incluindo violência sexual e de género, durante detenções em massa e períodos de detenção.

A Comissão afirmou que as crianças palestinianas, em particular os rapazes, foram sujeitas a maus-tratos sistemáticos durante a detenção, incluindo o desnudamento forçado, espancamentos e privação de alimentos.

A mesma organização concluiu que esse tratamento constituía crimes contra a humanidade, nomeadamente tortura e outros atos desumanos que causam grande sofrimento ou lesões graves.

Na sua refutação, Israel afirmou que as conclusões do relatório sobre a Cisjordânia omitiam o contexto da “ameaça terrorista constante” à qual, segundo Israel, as forças de segurança israelitas estavam a responder.

  • Fonte: Rádio Renascença
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