Fundo soberano. Duque tem dúvidas sobre como Montenegro quer intervir nas empresas estratégicas
- 23/06/2026 06:20
- Redação
O economista João Duque ainda não percebeu como é que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, quer fazer do fundo soberano um instrumento de intervenção na economia.
“Não tenho a certeza o que é que eles querem dizer com intervenção, porque intervenção, se é uma posição meramente de carteira, não é propriamente para fazer intervenção, é para estar a acompanhar, para ter uma presença, eventualmente, como administrador não executivo nas administrações, estar presente na Assembleia Geral e, portanto, estar mais próximo da empresa do que como regulador”, explica Duque.
Questionado senão é contraditório com o movimento ainda há poucos anos feito de saída do Estado de setores estratégicos, o presidente do ISEG considera que “se calhar saímos de mais”.
“Mete-me um bocadinho de impressão, confesso, nós estarmos completamente alheios e temos um papel simplesmente regulador, em empresas que são absolutamente vitais, a água, distribuição da rede elétrica, as estradas, os meios de comunicação, setores como a saúde, está fora, não faz sentido, eventualmente, os correios”, enumerou.
O dinheiro para alimentar este fundo soberano, é na opinião deste economista uma das partes mais complicadas do processo.
Duque avança que pode ser dos impostos e “temos sempre a possibilidade das concessões, na renovação das concessões”.
Quem fará a gestão do fundo também é uma questão porque “isto é feito num mecanismo diferente”.
“Já temos a Parpública e podemos ter aqui a gestão, isso é que me parece um bocadinho fora de contexto, uma vez que fala-se no IGCP, o Instituto de Gestão da Dívida Pública, e portanto, quer dizer, é pôr alguém a gerir ativos quando na prática só faz passivos”, rematou.