Número de crianças mortas em Gaza "é muito, muito superior”, alerta Amnistia Internacional

Número de crianças mortas em Gaza "é muito, muito superior”, alerta Amnistia Internacional

  • 23/06/2026 08:45
  • Redação

“São 20.179 crianças, no mínimo”, nota Ana Teresa Santos, porta-voz da organização em Portugal lembrando que “há muitas crianças que nem sequer foram ainda encontradas e que se encontram debaixo dos escombros”.

“E há, também, um aumento em tudo o que são abortos espontâneos, má-formações nos fetos que depois são agravadas quando as crianças nascem pela falta de cuidados hospitalares”, alerta. “Todas estas questões da vulnerabilidade do próprio sistema de saúde, do acesso a medicamentos têm provocado um crescente aumento da mortalidade infantil”, lamenta.

Um cenário que se estende, também, à Cisjordânia, nota a responsável remetendo para um relatório publicado há duas semanas pela Amnistia Internacional a dar conta da destruição de “orfanatos e escolas” naquele território, o que está “a provocar muitos problemas na saúde das crianças, a prejudicar a aprendizagem e a criar instabilidade emocional o que prejudica o seu desenvolvimento”, refere.

Em causa, explica Ana Teresa Santos, está a dificuldade no acesso ao território que impede um retrato real dos efeitos do conflito. “Mesmo o pessoal humanitário está cada vez com mais limitações para entrar, tal como, a atuação das próprias organizações humanitárias”.

“Portanto, o que sabemos é uma pequena parte do que se está a passar naquele território e, por exemplo, só o facto de não se conseguirem remover os escombros, acreditamos que o número de vítimas é muito, mas muito superior”.

A porta-voz da Amnistia Internacional e Portugal pede, por isso, a “responsabilização da comunidade internacional” pelo que continua a acontecer na Palestina apesar do cessar-fogo em Gaza.

“O que temos vindo assistir, infelizmente, arrisca-se a ser cumplicidade com o crime de genocídio””, critica.

Apesar das declarações públicas, muitas vezes, até com palavras bastante duras para o governo israelita, depois acaba por não ser acompanhado por ações concretas e reais que fazem a diferença”, lamenta Ana Teresa Santos dando o exemplo da União Europeia que poderia “suspender o contrato de associação com Israel” de forma a pressionar economicamente o governo de Benjamin Netanyahu a respeitar os direitos humanos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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