Reino Unido. Empresa ganha processo com advogado de IA
- 23/06/2026 09:38
- Redação
Uma consultora freelance de recursos humanos, Tamires Camal Taquidir, pagou ao escritório, Garfield AI, cerca de 400 libras (463 euros) para enviar uma carta de notificação e, posteriormente, instaurar um processo judicial relativo a uma dívida não paga no valor de 7.000 libras (8.095 euros).
Segundo o jornal britânico The Guardian, o cofundador da Garfield, Philip Young, classificou o caso como um “momento marcante” no acesso à justiça. Isto porque muitas pequenas empresas tiveram de dar a dívida como perdida, uma vez que os custos do litígio superavam o montante que poderiam esperar ganhar.
A Garfield — que foi autorizada pela Autoridade Reguladora dos Solicitadores em abril do ano passado e pode ser utilizada para apresentar reclamações de 30 (35 euros) a 10 000 libras (11.565 euros) — preparou o processo e, em seguida, contratou um advogado para defender o cliente em tribunal.
A IA realizou todo o trabalho jurídico que antecedeu o julgamento, o que envolveu contestar uma reconvenção apresentada pelo réu, que contratou advogados.
Preparou ainda quatro depoimentos de testemunhas e um conjunto de documentos para o julgamento de três horas no tribunal de comarca de Wandsworth, a 14 de maio. O tribunal decidiu a favor de Taquidir e concedeu-lhe o montante em dívida.
A Taquidir explicou ao “The Guardian” que a dívida estava relacionada com um serviço prestado pela empresa, “mas parecia que o processo de recuperação desse montante poderia ser demasiado stressante, dispendioso e demorado”.
Ainda assim, no Reino Unido a profissão de jurista tem sido abalada por uma série de erros de grande repercussão relacionados com a IA.
No mês passado, um escritório de advogados internacional, o Pinsent Masons, submeteu-se à Autoridade Reguladora dos Solicitadores (Solicitors Regulation Authority) depois de, por duas vezes, ter induzido um tribunal em erro com base em resultados de pesquisa de um sistema interno de IA.