Jogador de futebol francês em morte cerebral após afogamento
- 23/06/2026 08:28
- Redação
Quarenta pessoas morreram afogadas em França desde 18 de junho enquanto tentavam refrescar-se para escapar ao calor recorde, afirmou esta terça-feira o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, numa altura em que uma vaga de calor afeta grande parte da Europa. Uma das vítimas do calor é um jogador de futebol: Kenzo Kies, 21 anos, do Guingamp, está em morte cerebral.
O jogador de futebol foi retirado em estado crítico do Rio Ródano, perto da cidade de Lyon, depois de mergulhar com um grupo de amigos. O incidente aconteceu na segunda-feira à noite depois de entrar na água numa zona vedada a banhos. Os termómetros marcavam 38º graus.
O Reino Unido, Itália, Suíça, Espanha e Portugal enfrentam igualmente temperaturas extremas, com recordes em algumas regiões que estão a causar perturbações nas escolas e nas redes de transportes.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Europa está a aquecer a um ritmo mais de duas vezes superior à média global, tornando episódios prolongados de calor intenso cada vez mais prováveis.
Grande parte de França encontra-se sob alerta vermelho devido ao calor extremo e deverá registar temperaturas na ordem dos 40 °C esta terça-feira, informou a Meteo France. Em algumas zonas do oeste do país são esperados valores até 43 °C.
O país registou recentemente a tarde e a noite mais quentes desde o início dos registos, em 1947. Cinquenta e quatro departamentos encontram-se sob alerta vermelho, numa situação que os meteorologistas classificam como sem precedentes.
Em todo o território francês, muitas pessoas têm mergulhado em canais e rios para se refrescarem. A ministra francesa do Desporto, Marina Ferrari, afirmou compreender o desejo de fugir ao calor, mas alertou para os perigos de nadar em locais não autorizados ou perigosos.
Antes de uma reunião de emergência sobre a vaga de calor, o primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, declarou: "Assistimos a um fenómeno trágico no que respeita aos afogamentos. Os dados mais recentes mostram 40 mortes desde 18 de junho, sendo a maioria das vítimas jovens."
Em Paris, os trabalhadores enfrentaram deslocações difíceis após uma noite mal dormida em apartamentos pouco preparados para temperaturas tão elevadas. Alguns comboios foram cancelados, incluindo ligações entre Paris e Bruxelas.
Representantes empresariais afirmam que a economia também está a sofrer os efeitos do calor.
"A França está a funcionar a um ritmo mais lento. As empresas estão, sempre que possível, a aplicar as recomendações destinadas a proteger os seus trabalhadores", afirmou Patrick Martin, presidente da associação patronal francesa MEDEF, à estação BFM TV.
A vaga de calor na Europa é provocada por um padrão atmosférico conhecido como bloqueio Omega, assim designado por assumir a forma da letra grega Ω, com uma massa de ar quente no centro e massas de ar mais fresco em ambos os lados, permitindo que as temperaturas aumentem continuamente durante vários dias.
As alterações climáticas estão a intensificar tanto as vagas de calor como as tempestades, elevando as temperaturas e aumentando a intensidade da precipitação.
A Meteo France afirmou que as condições atuais são comparáveis às da vaga de calor de agosto de 2003, que durou 16 dias e provocou cerca de 80 mil mortes em excesso em toda a Europa, segundo a União Europeia. Ainda não é possível prever quanto tempo durará o episódio atual.
Em Itália, o Ministério da Saúde emitiu o nível máximo de alerta para 15 cidades e as autoridades adotaram medidas para limitar o trabalho em alguns setores. Estão previstas tempestades sobre os Alpes e os Apeninos, com chuva intensa, rajadas fortes de vento e granizo.
Também o Reino Unido enfrenta temperaturas excecionalmente elevadas. O serviço meteorológico britânico prevê máximas até 37 °C no sul de Inglaterra esta terça-feira — um valor que poderá estabelecer um novo recorde para o mês de junho — com possibilidade de subida adicional na quarta e quinta-feira.
Dezenas de escolas planeiam encerrar mais cedo, alegando que os edifícios não estão preparados para suportar o calor.
As redes de transportes europeias também estão sob pressão. A Network Rail aconselhou os passageiros britânicos a viajar apenas se necessário no final da semana, uma vez que as temperaturas poderão aproximar-se dos 39 °C, obrigando à imposição de limites de velocidade que deverão afetar os serviços ferroviários.
Em Londres, as trovoadas ocorridas durante a noite — parte do mesmo padrão meteorológico instável — causaram novas perturbações, incluindo no Aeroporto de Heathrow.
A agência meteorológica de Espanha emitiu alertas vermelhos para várias regiões do país, avisando para temperaturas perigosas que poderão atingir 44 °C. As noites têm oferecido pouco alívio, com cerca de 30 estações meteorológicas a registarem ainda temperaturas superiores a 25 °C na manhã de terça-feira.
Madrid abriu refúgios climáticos destinados às pessoas mais vulneráveis, incluindo pessoas em situação de sem-abrigo. Segundo Juan Carlos Arellano, dos serviços sociais Samur Social, estes espaços "proporcionam um ambiente climatizado, alimentação básica, possibilidade de tomar banho e um local para descansar durante algum tempo".
Dezenas de municípios do norte de Espanha cancelaram as tradicionais fogueiras populares devido ao elevado risco de incêndio florestal, demonstrando como as temperaturas extremas estão a afetar tanto as tradições culturais como o quotidiano.
Na Bélgica, o calor intenso obrigou uma escola primária em Tervuren, perto de Bruxelas, a transferir os exames finais para uma igreja próxima.
Na Suíça, o cantão de St. Gallen, no nordeste do país, restringiu a captação de água de rios e lagos devido aos baixos níveis das águas superficiais e subterrâneas e às elevadas temperaturas.
Enquanto o sul da Europa enfrenta calor sufocante, os destinos do norte atraem turistas em busca de férias com temperaturas mais amenas.
"Estávamos a pensar viajar para a Croácia, mas viemos para a Suécia porque aqui está mais fresco", afirmou a turista alemã Katharina Rexing, na zona histórica de Estocolmo, num dia em que a capital sueca registava 22 °C, enquanto Zagreb, na Croácia, atingia 30 °C.