Patriarca alerta para "novas formas de exclusão" mais difíceis de combater
- 23/06/2026 16:45
- Redação
O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, considera que “as novas formas de exclusão” que atingem a sociedade tornam-se “mais invisíveis e mais difíceis de combater”.
Na homilia da missa de ação de graças pelos 50 anos da Cáritas de Lisboa, na Basílica da Estrela, no centro da capital, o bispo chamou, ainda, a atenção para “a solidão que cresce silenciosamente no coração das cidades”.
Mas não só: D. Rui Valério referiu, também, que “as migrações colocam interrogações profundas à convivência humana”, lembrou “as fragilidades económicas” que afetam as famílias e a “crise ecológica”.
Neste contexto, a missão da Cáritas, disse, continua a ser a mesma: “ser presença onde outros não chegam, construir pontes onde o mundo ergue muros, recordar que ninguém pode ser descartado”.
“O pobre deixa de ser um problema social para se tornar uma pessoa. O migrante deixa de ser um número para se tornar um rosto. O idoso deixa de ser um caso a tratar para se tornar uma história. O excluído deixa de ser uma estatística para se tornar alguém amado por Deus”, disse o patriarca de Lisboa, sublinhando ser esta a “grande revolução do Evangelho” e “a identidade mais profunda da Cáritas”.
Reconhecendo que a instituição soube, ao longo das últimas 50 décadas, “responder às necessidades de cada tempo”, e que a sua “força nunca esteve nos meios humanos”, mas na confiança em Deus, D. Rui Valério sublinhou que a “a missão da Cáritas consiste em ser o amor que transforma vidas”.
“Na verdade, a transformação mais profunda não acontece apenas em quem recebe ajuda. Acontece também em quem ajuda”, afirmou, frisando que “quem aprende a amar os pobres aproxima-se do próprio Cristo”.
“Os pobres não são apenas destinatários da missão da Igreja, são também mestres da Igreja. Através deles, Cristo continua a ensinar-nos o valor da compaixão, da gratuidade, da esperança e da confiança”, destacou, ainda.
No final da celebração, todas as Cáritas paroquiais do Patriarcado de Lisboa foram evocadas no altar. Houve, ainda, tempo no fim para um momento musical no adro da Basílica.