PJ desmantela rota internacional de droga e apreende mais de 465 quilos de cocaína na “Autoestrada da Cocaína”
- 24/06/2026 08:26
- Redação
A Polícia Judiciária (PJ) liderou uma vasta operação internacional de combate ao narcotráfico que culminou na apreensão de mais de 465 quilogramas de cocaína, 42 quilogramas de haxixe, duas embarcações de alta velocidade, uma embarcação adicional e 800 litros de combustível, além da detenção de três suspeitos.
A denominada Operação “Azul 2.0” decorreu entre 27 de maio e 15 de junho, tendo sido coordenada pela PJ em colaboração com o Centro de Análise e Operações Marítimas – Narcóticos (MAOC-N), a FRONTEX e a Europol, contando ainda com a participação de diversas autoridades europeias e norte-americanas.
Segundo a Polícia Judiciária, a operação teve como principal objetivo detetar, monitorizar e intercetar embarcações suspeitas envolvidas no transporte de cocaína da América Latina para a Europa, recorrendo a complexos esquemas de transbordo em alto-mar.
Os esforços concentraram-se no corredor marítimo do Atlântico Oriental, entre as Ilhas Canárias, a Madeira e os Açores, uma zona que as autoridades passaram a designar como “Autoestrada da Cocaína”, devido ao crescente número de operações de tráfico identificadas naquele espaço marítimo.
De acordo com a PJ, a operação permitiu infligir “um golpe significativo” nas organizações criminosas que utilizam esta rota atlântica para introduzir cocaína no mercado europeu.
Durante a ação foram inspecionadas seis embarcações e apreendidos diversos meios logísticos utilizados pelos traficantes. A informação recolhida permitirá agora aprofundar investigações em curso e identificar os responsáveis pelas redes transatlânticas de narcotráfico.
As conclusões preliminares da operação confirmam uma tendência já identificada pelas autoridades internacionais: as organizações criminosas recorrem cada vez mais ao transporte marítimo para evitar os controlos nos grandes portos europeus.
Segundo a PJ e o MAOC-N, o esquema funciona em várias etapas. Inicialmente, embarcações-mãe recolhem a cocaína na América Latina e transportam-na durante centenas ou milhares de milhas náuticas até águas internacionais. Posteriormente, a droga é transferida em alto-mar para embarcações rápidas capazes de percorrer longas distâncias.
Numa fase final, estas embarcações descarregam a cocaína em pequenas embarcações destinadas a alcançar zonas costeiras isoladas, marinas ou praias, reduzindo o risco de deteção pelas autoridades.
As autoridades sublinham que este modelo permite às redes criminosas fragmentar o risco por várias embarcações e tripulações, dificultando a identificação dos responsáveis por toda a cadeia logística.
A operação foi liderada pela Polícia Judiciária em articulação com as autoridades policiais de Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos da América.
O MAOC-N assegurou a recolha e análise de informação operacional ao longo de toda a missão, enquanto a FRONTEX disponibilizou meios aéreos de vigilância. A Europol prestou apoio contínuo na análise e verificação de dados relativos às embarcações monitorizadas e intercetadas.
Entre as entidades participantes estiveram ainda a Marinha Portuguesa, Força Aérea Portuguesa, GNR, PSP, Autoridade Tributária e Aduaneira, Polícia Marítima, Guardia Civil, Policía Nacional, National Crime Agency britânica e a DEA norte-americana.
A Polícia Judiciária garante que a informação recolhida durante a Operação “Azul 2.0” continuará a ser analisada para identificar novas redes criminosas, apoiar investigações em curso e reforçar o combate ao tráfico internacional de cocaína através do Atlântico.